Produção industrial brasileira atinge patamar recorde
A alta em maio foi de 1,3 por cento ante abril e de 2,7 por cento sobre igual mês de 2010, informou o IBGE nesta sexta-feira. O crescimento anual reverte dois meses seguidos de taxas negativas.
Analistas consultados pela Reuters projetavam alta mês a mês de 1,1 por cento e avanço anual de 2,2 por cento. O dado de abril em relação a março foi revisto de queda preliminar de 2,1 por cento para recuo de 1,2 por cento.
"Maio mostra uma melhora espalhada do setor industrial, após uma queda generalizada em abril", disse o economista do IBGE André Macedo.
"Com esse resultado, a indústria passa a operar no seu patamar recorde e está 0,1 por cento acima do recorde anterior, que foi registrado em março desse ano."
No entanto, é cada vez mais evidente a desaceleração no ritmo de crescimento da indústria nacional, segundo Macedo.
Esse movimento está diretamente ligado a piora no desempenho do segmento de bens duráveis, que foi bastante afetado por medidas do governo para frear o consumo e a economia visando conter a inflação.
"Quando você olha para maio há um recorde de produção, mas quando você atenta para movimentos mais agregados, se vê um ritmo menor devido a medidas governamentais que acabam limitando e restringindo a produção", disse o economista.
Desde o fim do ano passado, o governo vem encarecendo o crédito à pessoa física e também vem elevando a taxa básica de juros.
Macedo disse que comparando-se os meses de maio e dezembro, o setor de bens duráveis está operando com alta de apenas 0,2 por cento.
SETORES
Na comparação mensal, 19 dos 27 setores pesquisados tiveram crescimento da atividade, com destaque para Alimentos (3,9 por cento), Produtos de metal (12,8 por cento) e Veículos automotores (3,5 por cento).
Entre as categorias de uso, os bens de consumo duráveis tiveram a maior alta, de 2,7 por cento, depois de caírem 10 por cento no mês anterior. Também tiveram expansão as produções de bens de capital (1,7 por cento) e de bens intermediários (1,5 por cento), enquanto a de bens de consumo semi e não duráveis ficou estável.
Na comparação com o ano passado, também 19 dos 27 setorescresceram, sendo as principais altas de Veículos automotores (6 por cento) e Refino de petróleo e produção de álcool (8 por cento).
"Vale citar que maio de 2011 (com 22 dias) teve um dia útil a mais que maio de 2010", disse o IBGE em nota.
Todos os segmentos da categoria de uso tiveram alta, sendo de 7,1 por cento em bens de capital; 2,4 por cento em bens intermediários; 2,3 por cento em bens de consumo duráveis; e de 2 por cento em bens de consumo semi e não duráveis.
"Os bens semi ainda são beneficiados pela massa salarial, que está crescendo menos, só que ainda está num patamar elevado. A parte mais sensível ao crédito tem um comportamento bem mais moderado", avaliou Macedo.
No ano, a produção da indústria acumula até maio expansão de 1,8 por cento.
Fonte:
Terra
(Reportagem adicional de Denise Luna)