Sete Estados e DF concentram o PIB

16/11/2008

Estudo do IBGE mostra perda de participação de São Paulo e avanço dos Estados do Nordeste

Jacqueline Farid

A economia brasileira prosseguiu concentrada em apenas oito unidades da federação em 2006, mas houve perda de participação, em relação a 2002, de Estados com grande peso no Produto Interno Bruto (PIB), como São Paulo. Pesquisa divulgada pelo IBGE confirma que o Distrito Federal continua a deter o maior PIB per capita.

Em 2006, os sete maiores Estados e o Distrito Federal tinham 78,73% do PIB do Brasil, quase um ponto porcentual a menos dos 79,67% registrados quatro anos antes. Cada ponto porcentual no PIB equivalia, na época, a R$ 23,7 bilhões. De outro lado, os Estados do Nordeste, beneficiados pelo aumento da massa salarial e programas de transferência de renda, registraram os maiores crescimentos em 2006.

O Estado de São Paulo manteve a liderança com folga no ranking das maiores economias do País, mas perdeu participação relativa no PIB total, na indústria e na agropecuária. O gerente de contas regionais do IBGE, Frederico Cunha, disse que o recuo paulista de 34,6% para 33,9% ocorreu por causa de uma queda entre os anos de 2002 e 2004. A partir de 2005 houve recuperação, mas não suficiente para voltar ao mesmo patamar.

Cunha diz que como São Paulo tem o maior mercado interno “sofre em anos de baixa atividade econômica e se recupera rápido quando o País volta a crescer”. A pesquisa mostrou perda de participação de São Paulo, no PIB agropecuário (de 13,5% para 12,8%) e industrial (de 37,6% para 34,8%), enquanto nos serviços permaneceu inalterada (34,1%).

Na indústria de transformação, São Paulo passou de 43,9% em 2002 para 43,6% em 2006. As maiores perdas da indústria ocorreram em eletrodomésticos (60,3% para 48,8%); materiais para escritório e equipamentos de informática (43,2% para 29,8%) e equipamentos de transporte (sobretudo motocicletas, de 70% para 42%), refletindo a migração industrial para o Amazonas.

Na cadeia automobilística houve perda de participação de São Paulo, de 61,3% em 2002 para 56,2% para 2006. Segundo Cunha, ainda que a concentração do parque automotivo paulista, houve crescimento dessa atividade em alguns Estados por causa de incentivos fiscais.

A maior parte dos Estados do Nordeste cresceu mais que os 4% da média nacional em 2006. O comércio, setor da economia que tem peso importante na região, apresentou bom desempenho naquele ano, devido ao aumento da massa salarial e dos programas de transferência de renda. Com crescimento de 8%, o Ceará apresentou a maior expansão do PIB na região.

 

Fonte:
Estado de S.Paulo