FMI: “Sistema financeiro tem de apoiar – não desestabilizar – a economia”
Num discurso que fez perante o instituto de análise económica independente, Brookings Institution, a responsável do Fundo Monetário Internacional disse (FMI) que a economia mundial necessita de um sistema financeiro que apoie a economia.
"Precisamos de sistemas financeiros que apoiem – não que desestabilizem – a economia." "Isto significa reparar os sistemas financeiros de forma a que eles forneçam crédito, promovam crescimento e postos de trabalho".
Para isso, a responsável compromete-se a ser exigente com a reforma do sistema financeiro. "Isto significa melhor regulação e supervisão, e melhor coordenação entre países, para prevenir a tomada injustificada de riscos."
"E isso significa conseguir que o sector financeiro pague a sua quota parte. Atrevemo-nos a não ser complacentes com a reforma do sector financeiro", salientou, sublinhando que esta missão "ainda está para ser cumprida".
A presidente do FMI propõe ainda um aumento dos capitais à disposição do FMI, já que só assim o fundo poderá desempenhar um papel de protecção da economia internacional de focos de estabilidade que podem surgir em todo o mundo.
FMI "pode ajudar" a criar protecção global contra risco de contágio de crises
"Precisamos de uma abordagem mais ampla – e de uma protecção global contra a instabilidade – se vamos responder a esta crise", disse Lagarde. "Na economia global de hoje, com a panóplia de interligações, o reforço da protecção europeia só pode ser uma solução parcial."
Por isso é necessário que se crie um "escudo" global contra os riscos de contágio da actual e de outras crises que venham a ocorrer. "Aqui, o FMI pode ajudar. Mas para ser tão eficaz precisamos de aumentar os nossos recursos", disse Lagarde.
"O fundo precisa de ter capacidade para apoiar todos os seus membros e de cumprir as necessidade daqueles que são afectados pela crise – tanto os que se encontram no epicentro como dos que são espectadores."
Regresso da instabilidade na Europa é o maior risco para a economia mundial
Segundo Christine Lagarde, o principal risco para a economia é de que a Europa volte a ser uma fonte de instabilidade. "Os passos dados pelos europeu nos últimos meses são uma lembrança oportuna do poder de uma política resoluta e da acção. No entanto ainda existem riscos", disse.
Para a responsável, "o risco que mais ameaça [a economia internacional] é de que a instabilidade orçamental e financeira regresse à Europa com força renovada".
"Política monetária pode apoiar crescimento com inflação sob controlo"
A presidente do Fundo Monetário Internacional diz que "alguns países não têm escolha a não ser ajustar agora, de forma brusca e rápida”. Mas "outras economias desenvolvidas" podem ter uma abordagem "mais gradual".
"Alguns países não têm escolha a não ser ajustar agora, de forma acentuada e rápida", disse, ressalvando que mesmo entre as economias desenvolvidas há muitas que podem, e devem, "ser mais graduais em reduzir os seus défices", permitindo que os estabilizadores automáticos actuem.
Em todo o caso, a "política monetária pode apoiar o crescimento quando a inflação permanecer sob controlo", disse. Costuma ser o caso na maior parte das economias desenvolvidas.
Para "as economias emergentes, é necessário um pouco mais de cautela, especialmente se e subida dos preços do petróleo e o prolongamento do crédito começarem a testar os limites da inflação", disse.
Fonte:
Negócios online