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Telefone via internet atrai grandes empresas no país

No banco Itaú, quando um executivo liga para os principais escritórios internacionais da organização, o interlocutor em Nova York ou Tóquio não percebe nada diferente, mas a voz trafega pela internet, como se fosse um e-mail.

O banco é um indicador da adesão crescente das grandes companhias à telefonia IP (protocolo de internet, em inglês), que permaneceu como uma promessa não cumprida nos últimos anos, mas agora alça vôo no país.

A principal vantagem do sistema é a economia. Sob uma rede IP, a voz é transformada em um pacote de dados, cujo tráfego é bem mais barato que o de uma chamada tradicional. Em alguns casos, tarifas de interurbano simplesmente desaparecem.

As empresas já perceberam isso. “Economizamos R$ 1 milhão por ano e isso ainda é pouco perto do potencial”, diz João Antonio Dantas Bezerra, diretor de operação de computadores e telecomunicações do Itaú. A Aracruz Celulose reduziu os custos mensais com ligações em 25%, o equivalente a R$ 40 mil, e a siderúrgica Belgo-Mineira prevê cortar despesas em 30% assim que seu sistema entrar em funcionamento, ainda este mês.

O interesse das corporações aqueceu a demanda dos fornecedores de infra-estrutura. No Brasil, a americana Cisco diz ter vendido, em seis meses de seu ano fiscal, 25% mais em sistemas IP do que em todo o exercício passado. A 3Com, também dos EUA, recebeu entre janeiro e abril um número de propostas maior do que no segundo semestre de 2004.

Apesar do movimento, a maior parte dos projetos ainda tem alcance restrito nas redes corporativas. O uso exclusivo de IP ainda é raro. O alto custo de aquisição dos equipamentos pesa contra a tecnologia. Enquanto um telefone comum sai por R$ 20, um aparelho IP pode custar dez vezes mais.

Valor Economico
Talita Moreira, Ricardo Cesar
e João Luiz Rosa
18/05/2005