Learn as if you will live forever, live like you will die tomorrow.

   +1 555 87 89 56   80 Harrison Lane, FL 32547

Pinacoteca exibe dois séculos de arte italiana

Melina Dias
Diário do Grande ABC

Desde 1954 São Paulo não recebia uma exposição de arte italiana com tanto valor histórico como Luz e Sombra na Pintura Italiana entre o Renascimento e o Barroco, aberta a partir desta quarta-feira ao público na Pinacoteca do Estado. Na década de 50 foi o mítico pintor Caravaggio a estrela. Agora são 65 telas, pré e pós-Caravaggio, que devem emocionar milhares de pessoas até 30 de abril, data em que parte para o Rio.

Por um ingresso de R$ 4, o visitante terá acesso a parte do acervo particular do milionário Luigi Koelliker, presidente da Hyundai italiana. Há obras de Tiziano, Lorenzo Lotto, Veronese, Guido Reni e Guercino, entre outros. Predominam os retratos. São dois séculos (XVI e XVII) de arte italiana extraordinariamente reunidos em dez anos por Koelliker. Dois painéis na parte externa da mostra orientam sobre os movimentos renascentista e barroco na pintura.

O quadro que recebe o visitante, Retrato do Poeta Pietro Aretino, de Tiziano Vecellio (1488/90-1576), é um bom exemplo da aventura que acabou resultando na coleção. Foi comprado em um leilão em Palma de Maiorca, em 1999, por algo entre “80 e 100 mil euros”. O curador desta mostra, Vittorio Sgarbi, atribuiu a tela a Tiziano: hoje ela vale entre 2 e 3 milhões de euros. O italiano Sgarbi ostenta um currículo extenso e variado. Além da formação em história da arte é autor de dezenas de livros sobre o assunto, membro de diversos órgãos de preservação ao patrimônio artístico, foi parlamentar e até apresenta um programa de televisão.

Atribuição – Cada pintura que pode ser apreciada na Pinacoteca carrega séculos de história que renderiam dezenas de livros. Entre 1500 e 1600 os pintores eram, em sua maioria, meros retratistas a serviço da nobreza. A maioria das telas não exibe o nome do pintor. A assinatura está em detalhes pictóricos, como o uso das cores, o modo de pintar as mãos, a dose de realismo. A isso soma-se o levantamento histórico. No caso de Aretino e Tiziano sabe-se que foram amigos em Veneza. E o que seu retrato exprime dialoga com vasta obra do escritor e poeta, que começou a publicar em 1512.

Há centenas de outras pistas para um expert atribuir um quadro a um mestre. Exaustivas investigações são feitas, o caminho percorrido pela obra é reconstituído (algumas desaparecem por séculos). Todas essas informações devem ser comprovadas e aceitas por um número razoável de estudiosos reconhecidos. No catálogo da mostra, para cada tela há essa argumentação do especialista justificando a atribuição.

A mostra documenta três vertentes das principais escolas italianas: veneziana, bolonhesa e romana. Também estão presentes pintores de outras nacionalidades que se filiaram a elas, como El Greco, Van Dyck, Simon Vouet e Claude Vignon.

De perto – Durante a apresentação das obras para a imprensa, volta e meia o curador Sgarbi parecia imantado pelo quadro. Olhava as telas muito de perto, quase tocando-as com o nariz. O visitante deve imitar seu exercício, obviamente respeitando o limite imposto pela organização. Assim perceberá técnicas de cada artista representado. É impressionante como a precisão das pinceladas cria luz, volume e textura.

Fonte:
Diário do Grande ABC