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Petrobras otimiza refino para ampliar produção de diesel

Petrobras prioriza projetos de conversão de suas refinarias para produzir derivados de maior valor agregado e, também, itens de melhor qualidade com o objetivo de diminuir sua dependência da importação de óleo diesel. De 2006 a 2010, a estatal vai investir US$ 8 bilhões no total, US$ 2 bilhões destes destinados à construção de unidades de coqueamento, a fim de elevar a produção de produtos mais nobres, como o diesel. “A Petrobras está trabalhando para adequar sua capacidade de refino à matriz de consumo brasileira”, avalia Luiz Henrique Sanches, diretor da LHS Consultoria . O coqueamento é um sistema de produção que equilibra a produção de gasolina e diesel na refinaria.

Outros US$ 3,3 bilhões da estatal serão empregados em melhorias de processo na produção do diesel e da gasolina. O objetivo é garantir um diesel com menor teor de enxofre (devido à legislação ambiental). “Trabalhamos para diminuir de 500 partes por milhão para 80 partes por milhão o conteúdo do enxofre, até 2009, no Diesel 500, utilizado na frota de caminhões e ônibus”, explica Hélder Luis Paes Moreira Leite, gerente de investidores de renda variável da Petrobras. Já os trabalhos quanto a energias alternativas, como o biodiesel, deverão se restringir à comercialização e ao acompanhamento tecnológico da produção do item.

Por conta da safra agrícola ocorrida no terceiro trimestre deste ano, o consumo de diesel aumentou em 3% no País. Segundo Sanches, o Brasil consome cerca de 600 mil barris por dia de diesel e, do total deste volume, precisa importar de 50 a 100 mil barris por dia de diesel. Para o analista, o aumento de fabricação deste produto, tendo em vista os projetos em curso e os que estão por vir em refino, não se traduzirá em auto-suficiência de diesel. Isso porque o processo de fabricação do item gera um excedente — a gasolina — que, sobreofertada no mercado brasileiro, acaba seguindo para a exportação. “Não se trata de um negócio para a Petrobras, mas uma conseqüência da produção de diesel que precisa ser escoada”, cita Moreira Leite.

De acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic), a exportação de gasolina resultou, de janeiro a outubro deste ano, US$ 788 milhões (2,13 bilhões de litros), ante os US$ 435 milhões (1,55 bilhão de litros) em 2004. Se analisado o mês de outubro de 2005 contra o de 2004, o aumento é ainda maior. No período, o País saltou de uma exportação de US$ 28,4 milhões para US$ 167,4 milhões. “Há indícios de reflexo do furacão Katrina, que paralisou refinarias americanas, mês antes. Porém, não se pode atribuir a alta somente a isso”, defende Sanches. Entre os principais mercados importadores do Brasil, destacam-se a Nigéria e os Estados Unidos. O primeiro país, que havia adquirido US$ 50 milhões de gasolina brasileira no acumulado de 2004, importou, no mesmo período deste ano, cerca de US$ 231,8 milhões. “Em 2004, a Nigéria produziu 2,5 milhões de barris por dia, quase 50% a mais que o Brasil, e, com certeza, consumiu muito menos que isto. Entretanto, em função de sua capacidade de refino ser pequena, precisa exportar derivados, como é o caso da gasolina” detalha Sanches. O analista acrescenta que a alta nas vendas externas se deve ainda pelo reajuste de preços praticados pela Petrobras.

O cronograma das novas plantas abrange as Refinarias de Duque de Caxias (Reduc/RJ), que deverá ser concluída em 2012; Henrique Lage (Revap/SP), em 2008; Presidente Getúlio Vargas (Repar/PR), em 2009; e a Alberto Pasqualini (Refap/RS), ainda neste ano. “Há também estudos para modificações na Refinaria de Paulínia (Replan/SP) e na Refinaria Gabriel Passos (Regap/MG) em 2010”, afirma Moreira Leite
As opiniões divergem quanto ao aumento de consumo de gasolina no Brasil. Para José Carlos Ulhôa, presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis e Lubrificantes do Distrito Federal (Sinpetro-DF), a demanda pelo produto no País tenderá a diminuir nos próximos anos por conta dos veículos flex. “Se houver uma política de preços adequada, a tendência é a utilização de álcool”, opina.
Para Moreira Leite, o consumo de gasolina deverá crescer a uma taxa de 2%, isso porque a frota bicombustível não substitui os veículos movidos a gasolina. “O público que adquire os carros flex, geralmente da classe A e B, se desfaz de seus antigos veículos movidos somente a gasolina. Eles não saem do mercado: ao contrário, passam a ser comercializados às classes C e D”, afirma.

Fonte:
DCI