“Não podemos adiar o debate”, diz Haddad sobre os minerais críticos do Brasil

Esse tema ganhou espaço nas agendas econômicas e ambientais de vários países, dada a corrida tecnológica e a concorrência global por cadeias de produção mais sustentáveis
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, defendeu em 12 de agosto que o Brasil deve iniciar urgentemente uma discussão estratégica sobre a utilização de suas reservas de minerais críticos, como as terras raras, insumos essenciais para a produção de baterias, semicondutores e tecnologias de transição energética. Ele afirmou que o debate não pode mais ser adiado.
O tema ganhou destaque nas agendas econômicas e ambientais de diversos países, tendo em vista a corrida tecnológica e a competição global por cadeias produtivas mais sustentáveis.
A União Europeia, os Estados Unidos e a China veem isso como uma questão estratégica para garantir a autonomia industrial e reduzir a dependência externa. No contexto da crise tarifária, os EUA manifestaram interesse em explorar os minerais brasileiros.
No Brasil, os especialistas alertam que a simples exportação desses recursos manteria o país preso ao papel de fornecedor de matéria-prima, sem capturar o valor agregado da industrialização.
“O Brasil é rico em terras raras e minerais e precisa refletir sobre isso. O padrão do Brasil é a exportação de matérias-primas. Precisávamos encontrar uma maneira de criar valor agregado. A simples exportação de minérios apenas reproduziria a lógica de empregos duvidosos. Temos que criar valor agregado”, disse Haddad.
De acordo com o ministro, já houve discussões durante a administração de Joe Biden nos EUA sobre a possibilidade de criar joint ventures no país para a produção de baterias. Ele disse esperar que parcerias semelhantes possam ser estabelecidas com a Europa e a China.
Não podemos adiar esse debate, temos que acelerá-lo. Concordo que ele deve ser deliberado pelos poderes da República”, acrescentou. Concordo que ele deve ser deliberado pelos poderes da República”, acrescentou.
O debate interno sobre minerais essenciais diz respeito não apenas à política industrial, mas também à segurança nacional, à transição energética e à integração internacional.
O Brasil detém reservas significativas desses insumos, como nióbio, grafite e lítio, e poderia, segundo analistas, posicionar-se como fornecedor de produtos de alta tecnologia em vez de exportador de matérias-primas.

As terras raras constituem um grupo de 17 elementos químicos essenciais para o funcionamento de muitos produtos modernos – Foto: Art/g1
Fonte: G1