Importações sobem em novembro e balança comercial volta ao vermelho

07/11/2011

As importações brasileiras continuaram em alta no começo de novembro, o que contribuiu para o registrro de um novo déficit da balança comercial brasileira – quando as compras do exterior ficam acima das exportações, segundo números divulgados nesta segunda-feira (7) pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC).

Com o crescimento das importações, o saldo da balança comercial ficou negativo, ou seja, as compras do exterior superaram as vendas externas. Na última semana, a balança registrou um déficit de US$ 543 milhões, o segundo pior resultado semanal deste ano, perdendo apenas para a quarta semana de setembro (-US$ 584 milhões).

A balança tem apresentado um comportamento errático em 2011, visto que tem alternado resultados semanais superavitários com déficits. Os saldos negativos já foram registrados em nove semanas neste ano. O último déficit havia sido computado na terceira semana de outubro (-US$ 304 milhões).

Importações e exportações
No começo de novembro, resultado de três dias úteis (1, 3 e 4 deste mês), as importações somaram US$ 3,72 bilhões, com média diária de US$ 1,24 bilhão – a segunda maior da história, perdendo apenas para a quarta semana de abril (US$ 1,25 bilhão por dia útil).

Tradicionalmente, as compras do exterior começam a se acelerar a partir de setembro de cada ano em preparação para o Natal.

Segundo números do governo federal, as exportações, por sua vez, somaram US$ 3,18 bilhões na semana passada, ou US$ 1,06 bilhão por dia útil – abaixo da média de US$ 1,1 bilhão de outubro.

Parcial do ano
Apesar do déficit registrado no começo de novembro, o saldo da balança comercial tem melhorado no acumulado deste ano. Na parcial de 2011, até 6 de novembro, as exportações brasileiras ultrapassaram as importações em US$ 24,84 bilhões, informou o governo. Com isso, o superávit da balança comercial avançou 66,2% na comparação com o mesmo período do ano passado, quando estava em US$ 14,95 bilhões.

O aumento do saldo comercial neste ano está relacionado, principalmente, com a elevação dos preços das chamadas "commodities" (produtos básicos com cotação internacional, como alimentos, petróleo e minério de ferro, entre outros) no mercado externo. Com o preço em alta, as vendas externas se tornam mais rentáveis – o que aumenta o valor das exportações.

As exportações brasileiras, de acordo com o Ministério do Desenvolvimento, somaram US$ 215,32 bilhões no acumulado deste ano, com crescimento de 29,3% sobre o igual período de 2010. Ao mesmo tempo, as importações totalizaram US$ 190,47 bilhões na parcial de 2011, com elevação de 25,7% sobre o mesmo período do ano passado.

Ano de 2010 e previsões
Em 2010, com o forte crescimento das importações, fruto do elevado ritmo de crescimento da economia brasileira (7,5%) e do dólar baixo – fator que encarece as vendas externas e tornam as compras do exterior mais baratas – o saldo comercial ficou positivo em US$ 20,27 bilhões, o valor mais baixo em oito anos.

O desempenho da balança comercial em 2011 tem surpreendido os analistas, visto que, no início deste ano, o mercado financeiro acreditava que o superávit ficaria abaixo de US$ 9 bilhões. Com os bons números dos últimos meses, este dado tem sido constantemente revisado para cima.

Os economistas de instituições financeiras acreditam atualmente que, mesmo com um crescimento menor da economia (cerca de 3,2%) e com um dólar baixo registrado em boa parte deste ano, a balança comercial brasileira, principalmente por conta da alta dos preços das "commodities", deve registrar um saldo positivo de US$ 27 bilhões neste ano, valor igual ao previsto pelo Ministério do Desenvolvimento.

 

Fonte:
G1