Fusão entre Sadia e Perdigão gera otimismo em MT
Fusão entre as empresas Sadia e Perdigão foi aprovada pelo Conselho Administrativo de Conselho Econômico (Cade) com algumas condicionantes, como venda de unidades e retirada de produtos do mercado. Criação da BR Foods, que surge da união, tem reflexos em Mato Grosso em consequência da presença de duas unidades da Sadia e 3 da Perdigão em operação, além da consequência sobre o mercado consumidor.
De acordo com o Termo de Compromisso de Desempenho (TCD) acordado entre as empresas e o órgão regulador, a BR Foods deverá se desfazer de 10 fábricas de alimentos processados, 2 abatedouros de suínos, 2 abatedouros de aves, 4 fábricas de ração, 12 granjas de matrizes de frangos, 2 incubatórios de aves e 8 centros de distribuição.
Ainda não foi divulgado os locais em que as unidades serão alienadas, mas de acordo com o secretário de Estado de Indústria, Comércio, Minas e Energia, Pedro Nadaf, a entrada de outra empresa não afeta a produção local e nem mesmo interfere nos acordos para concessão de incentivos fiscais que algumas dessas plantas receberam para se instalar em Mato Grosso.
Com o TCD, ficou estabelecido também que as unidades alienadas não poderão reduzir o quadro de funcionários por um período mínimo de 6 meses e também terão que manter a relação comercial com os produtores. Para o economista e consultor de agronegócio, Amado de Oliveira Filho, a fusão tem 2 lados. O positivo é o ganho da empresa em poder de compra, o que gera redução de custos e com isso mais rentabilidade e consequentemente pode se reverter em crescimento. Neste caso, os fornecedores também podem se beneficiar, visto há possibilidade de aumento na escala de produção. Por outro lado, como não se sabe ao certo como será o posicionamento de mercado, os produtores podem perder caso a empresa queira rever contratos e impor preços. Já para o consumidor, Oliveira não acredita em grandes mudanças.
O mesmo pensa o diretor da Associação dos Supermercadistas de Mato Grosso (Asmat), Altevir Magalhães. "Existem muitas marcas no mercado e que são competitivas. Não acredito em monopólio", afirma ao comentar que em algumas categorias as vendas dos produtos Sadia e Perdigão somam 50% e em subcategorias até 70%.
Fornecedores estão confiantes com a fusão. Segundo o vice-presidente da Associação Mato-grossense de Produtores de Aves (Amav), Alécio de Domênico, há 3 anos as duas empresas trabalham com a possibilidade da incorporação e não houve mudanças, o que na avaliação dele deve ser mantido. Domênico analisa ainda que pode haver um ganho de força por parte da empresa no mercado externo, o que deve ter consequências positivas para todo o país.
Segundo o diretor-executivo da Associação dos Criadores de Suínos de Mato Grosso (Acrismat), Custódio Rodrigues, essas empresas já possuem fornecedores integrados, que estão na empresa e não deverão ter seus contratos alterados, pelo menos em consequência da fusão. "A união não terá impactos, até porque produtores estão integrados à indústria".
Fonte:
Agronotícias