Clima é de comoção e revolta em velório das vítimas de Realengo
Três vítimas do massacre na Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, na zona oeste do Rio de Janeiro, vão ser enterradas no cemitério do Murundu, na zona oeste. O clima no local é de muita comoção e revolta dos parentes e amigos dos estudantes mortos.
Noeli da Rocha de Souza, mãe da estudante Mariana Rocha de Souza, passou mal durante o velório da filha e teve que ser atendida por uma equipe médica montada pela secretaria municipal de Saúde. Uma das primas de estudante, Marisa Ferreira Miranda também ficou muito abalada com a morte de Mariana.
– Estou sem palavras, a vizinhança toda está muito abalada, pois além dela, foram mortas outras três vizinhas.
A amiga da família, Mônica Teixeira Martins está revoltada com a situação.
– É trágico. Infelizmente este é mais um caso para as estatísticas. Estamos chocados, a Mariana era uma menina alegre, cheia de vida. Essa situação é revoltante.
Parentes da estudante Larissa Silva Martins também passaram mal no cemitério. Uma das vizinhas da vítima conta que nunca ouviu falar mal do atirador, Wellington Menezes de Oliveria.
– Eu vi a Larissa crescer e é muito triste ver as imagens na televisão. A gente só vê criança com sangue, nenhum adulto, e é isso que me revolta. Eu já tinha visto aquele garoto perto da escola, e nunca ouvi falar mal dele. Pra todos nos foi um surpresa muito grande.
Entenda o caso
Por volta das 8h de quinta-feira (7), Wellington Menezes de Oliveira, 23 anos (a polícia chegou a divulgar que ela tinha 24 anos, mas a idade foi corrigida posteriormente), ex-aluno da Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, na zona oeste do Rio de Janeiro, entrou no colégio após ser reconhecido por uma professora e dizer que faria uma palestra (a escola comemorava 40 anos e realizava uma série de eventos comemorativos).
Armado com dois revólveres de calibres 32 e 38, ele invadiu uma sala de aula no primeiro andar e outra no segundo, e fez vários disparos contra estudantes que assistiam às aulas. Ao menos 12 morreram e outros 12 ficaram feridos, de acordo com levantamento da Secretaria Estadual de Saúde.
Duas adolescentes baleadas, uma delas na cabeça, conseguiram fugir e correram em busca de socorro. Na rua Piraquara, a 160 m da escola, elas foram amparadas por um bombeiro. O sargento Márcio Alexandre Alves, de 38 anos, lotado no BPRv (Batalhão de Polícia de Trânsito Rodoviário), seguiu rapidamente para a escola e atirou contra o abdome do criminoso, após ter a arma apontada para si. Ao cair na escada, o jovem se matou atirando contra a própria cabeça.
Com ele, havia uma carta em que anunciava que cometeria o suicídio. O ex-aluno fazia referência a questões de natureza religiosa, pedia para ser colocado em um lençol branco na hora do sepultamento, queria ser enterrado ao lado da sepultura da mãe e ainda pedia perdão a Deus.
Os corpos dos estudantes e do atirador foram levados para o IML (Instituto Médico Legal), no centro do Rio de Janeiro, para serem reconhecidos pelas famílias. Os velórios e os enterros serão realizados a partir desta sexta-feira (8).
A Divisão de Homicídios da Polícia Civil concluiu a perícia na escola no início da noite de quinta-feira. O inspetor Guimarães, responsável pela análise, disse que o assassino deve ter atirado de maneira aleatória contra os alunos. A polícia está investigando se os estudantes que morreram eram do 8º ano de escolaridade (antiga 7ª série). A perícia deve confirmar que as vítimas atingidas estavam sentadas na primeira fileira da sala de aula.
Fonte:
R7