Câmara de comércio diz que decisão pode afetar negócios entre os dois países
O presidente da Câmara Ítalo-Brasileira de Comércio, Indústria e Agricultura de São Paulo (Italcam), Edoardo Pollastri, disse ontem que a concessão ao ex-ativista italiano Cesare Battisti de status de refugiado político pode afetar os negócios entre Brasil e Itália. O comércio bilateral movimentou US$ 7,8 bilhões, em 2007, passando a US$ 9,3 bilhões, no ano passado. Para Pollastri, a decisão do ministro da Justiça Tarso Genro, política, deveria restringir-se ao âmbito técnico dos tribunais.
"A corrente comercial entre os dois países apresenta crescimento constante, desde 2004. É o país que mais realiza negócios com o Brasil na Europa", observou o presidente da Italcam. O país é o 13º investidor estrangeiro no Brasil. Hoje, existem cerca de 300 empresas italianas atuando diretamente no Brasil. Há dez anos, o número não chegava a 100. "Os dois países podem perder muito se essa pendência política não for resolvida rapidamente", afirmou Pollastri.
As exportações italianas para o Brasil, de acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, somaram US$ 4,765 bilhões, no ano passado. Entre os produtos mais comprados pelo Brasil estão partes de tratores e veículos automotores, óleos lubrificantes sem aditivos, carrocerias para automóveis e o medicamento Interferon Beta, para tratamento de esclerose múltipla. O Brasil remete principalmente soja, café, minérios de ferro e couro, que renderam US$ 4,765 bilhões na balança comercial, em 2008.
O intercâmbio econômico entre as empresas brasileiras e italianas é intenso, segundo o presidente da Italcam. Somente na região da Lombardia, hoje, atuam em torno de 400 empresas direta ou indiretamente ligadas ao capital brasileiro.
A última promoção comercial italiana em território brasileiro aconteceu na 36ª Couromoda, encerrada no dia 15 deste mês, em São Paulo. O Instituto Italiano de Comércio Exterior (ICE) e a Associação Nacional dos Calçadistas Italianos (ANCI) trouxeram 17 empresas calçadistas para incrementar o intercâmbio comercial entre os dois países nesse setor econômico.
No âmbito governamental também há colaborações entre os dois países. Na semana passada, o embaixador italiano no Brasil, Michele Valensise – chamado pelo governo italiano para explicar a concessão de refúgio político a Battisti –, enfatizou seu apoio nas negociações do Brasil para a ampliação das importações da carne nacional pela Europa. Em encontro com o ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Reinhold Stephanes, o embaixador informou que seu país também tem interesse na importação de bovinos machos jovens para engorda.
Fonte:
Diário do Comércio