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Brasil venderá títulos atrelados ao real no exterior

Bom momento da economia estimula interesse de investidores internacionais pela primeira emissão do governo em moeda local

EXAME O governo brasileiro decidiu oferecer, pela primeira vez, títulos financeiros atrelados ao real ao mercado internacional. A captação externa – que sempre ocorreu com papéis em dólares – foi confirmada nesta quinta-feira (15/9) com o comunicado do Tesouro Nacional sobre a contratação dos bancos JP Morgan e Goldman Sachs como coordenadores da primeira emissão de títulos soberanos na moeda brasileira.

O governo não divulgou quando a operação deve ocorrer, nem o montante envolvido. Para os economistas, o interesse dos investidores internacionais em papéis referendados na moeda local reflete o desempenho positivo da economia. “Há alguns anos, seria impensável a emissão de títulos da dívida pública em reais”, afirma um analista que pediu para não ser identificado.

O economista-chefe do ABN Amro Asset Management, Hugo Penteado, concorda com a avaliação. “O Brasil não deve ter grandes problemas para efetuar a emissão”, diz. Além do expressivo saldo comercial que já beira os 30 bilhões de dólares, da recomposição das reservas internacionais e da expectativa de crescimento da economia – revista para cima pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada –, os analistas destacam também a atração que a elevada taxa de juros do país exerce sobre os investidores internacionais.

Mesmo que o Banco Central tenha iniciado, nesta quarta-feira (14/9), o início de um ciclo prolongado de cortes da Selic, a taxa ainda se manterá alta para os padrões internacionais até 2006 pelo menos. Segundo o último relatório de mercado do BC, as instituições financeiras consultadas esperam que os juros básicos encerrem dezembro em 18% ao ano. Doze meses depois, os juros devem estar em 15,75%.

Menor risco

A queda do risco latino já incentivou algumas emissões de empresas privadas em moedas locais. Em julho, por exemplo, o BankBoston captou 50 milhões de dólares em títulos lastreados em reais. Em abril do ano passado, o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) já havia testado o mercado, com uma emissão também atrelada à moeda brasileira.

Segundo Penteado, do ABN Amro, uma vantagem desse tipo de operação é reduzir o risco cambial para quem emite os papéis, já que o comprador é quem deve arcar com o ônus de eventuais flutuações cambiais. Pelo cronograma do governo, o Brasil deve captar 9 bilhões de dólares no exterior em 2006. Aproveitando o bom momento, o país já antecipou a captação de 1 bilhão. A nova emissão também deve seguir a mesma lógica de aproveitar o interesse favorável do mercado e antecipar novas operações.

Fonte:
Portal Exame
16/9/2005