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Brasil tem das piores taxas de repetência do mundo

Brasil aparece em 15º lugar, empatado com Moçambique, no ranking de maiores taxas de repetência na escola primária divulgado nesta quinta-feira pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco). O relatório mostra que apenas 12 países da África subsaariana, a região mais pobre do mundo, o Nepal, na Ásia, e a colônia britânica de Anguila, no Caribe, estavam em situação pior que a brasileira.

Mas o estudo também mostra avanços. A Unesco elogiou o desempenho da América Latina e do Caribe em relação à educação infantil. Na região, 62% das crianças de 4 a 6 anos recebem educação pré-primária ou pré-escolar – o melhor percentual no grupo dos países em desenvolvimento. A taxa no Brasil é um pouco melhor: 68%. Os piores índices estão na Ásia Oriental e no Pacífico (35%), na Ásia Meridional e Ocidental (32%), no mundo árabe (16% ) e na África Subsaariana (12%).

A coordenadora do escritório da Unesco no Rio Grande do Sul, Alessandra Schneider, explica que os números brasileiros vêm melhorando nos últimos anos, mas o país ainda está longe de alcançar as metas estipuladas pelo programa Educação Para Todos, da Unesco, para 2015.

País com maior taxa de reprovação é africano

Em relação às taxas de repetência, o ranking considerou dados de 140 nações e territórios, indicando que 20,6% dos estudantes brasileiros de 1ª a 4ª série repetiram o ano em 2002. Em 1999, a taxa era ainda maior, de 24%. O campeão de reprovação foi Guiné Equatorial, na África, com 40,5%. Os dez primeiros países da lista são africanos. Com a menor taxa, 0,01%, aparece a Coréia do Sul, país que se notabilizou nos últimos anos por fazer pesados investimentos em educação. Dos 140 países, 71 apresentam taxas inferiores a 5%.

O Relatório de Monitoramento Global de Educação para Todos 2007, lançado em Nova York, diz que a taxa de repetência reflete a qualidade do ensino. Sob o título “Bases Sólidas: Cuidados e Educação na Primeira Infância”, o estudo defende maiores investimentos em creches e pré-escolas, como forma de melhorar o rendimento dos estudantes na etapa seguinte, ou seja, no ensino fundamental.

O Brasil é citado duas vezes no relatório, juntamente com a África subsaariana, como exemplo de países ou regiões com altas taxas de repetência. O texto destaca negativamente também a taxa brasileira na 1ª série, que estava em 29,3%, em 2003, segundo o estudo. O país aparece ainda no grupo de 28 nações em desenvolvimento com mais de 500 mil crianças fora da escola primária. Na Nigéria, são mais de 8 milhões.

A presidente da União Nacional de Dirigentes Municipais de Educação (Undime), Maria do Pilar, disse que o Brasil convive com uma cultura conservadora favorável à reprovação de estudantes, como forma de garantir o aprendizado. Segundo ela, que é secretária da Educação de Belo Horizonte, essa concepção é equivocada:

– O pensamento conservador diz que, se reprovar, a criança aprende no ano seguinte, o que não é verdade. Está provado que, quanto mais reprovação, pior o desempenho dos alunos. É preciso mudar o modelo de escola.

Fonte:
Agência O Globo