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BRASIL ENTRA NA ERADOBICOMBUSTÍVEL

Os brasileiros estão entrando em uma nova era tecnológica, a do automóvel bicombustível, aquele que roda com gasolina e/ou álcool, independentemente da quantidade da mistura.
Atualmente, são cinco modelos equipados com motores flex fuel, que aceitam gasolina, álcool ou os dois combustíveis.
Até o final do ano, pelo menos mais três modelos vão ter esse tipo de motor.

A pioneira foi a Volkswagen, que escolheu o líder de vendas no país para ser a ‘cobaia’. Já foram vendidas 5.000 unidades do Gol 1.6 Total Flex, lançado oficialmente nas comemorações dos 50 anos da empresa no Brasil. A fábrica dá sinais de que realmente acredita nos novos motores: inicialmente, só existia uma versão de acabamento, mas a Volkswagen acaba de anunciar uma segunda.

O motorista não percebe a diferença no funcionamento do carro, mas há um poderoso sistema de computação sob o capô. O SFS (Software Flexfuel Sensor) identifica e quantifica a mistura entre álcool e gasolina no tanque, usando informações recebidas de sensores que já existem em todo o sistema de injeção de combustível, entre eles os de temperatura, velocidade e rotação, além da sonda lambda, que fica no escapamento. Assim, a ECU (Unidade de Comando Eletrônica) adapta o funcionamento do motor ao combustível, mantendo o desempenho do veículo.

Como escolher o combustível

Para saber qual combustível escolher na hora de abastecer o carro num posto, já que o álcool é mais barato, porém o seu consumo é cerca de 30% mais elevado que o da gasolina, o ideal é que o preço do álcool não custe mais de 70% do preço da gasolina.

Mas para não ficar fazendo contas de porcentagem no momento de abastecer, pois os valores variam muito de posto para posto, uma solução simples é multiplicar o preço da gasolina por 0,7. Se o resultado da operação for maior que o preço do litro de álcool na bomba, é mais vantajoso encher o tanque com álcool mesmo.

Os modelos que já existem e os que estão chegando

Os primeiros dois modelos que utilizam álcool e gasolina lançados foram o Gol 1.6 Total Flex, que saiu em março, e o Corsa Hatchback 1.8 FlexPower, no mercado desde junho. A companhia vende hoje, além do Gol, versões da Parati e da Saveiro Total Flex.

A General Motors comercializa as versões do Corsa 1.8 Hatchback e Sedan. Os veículos 1.8 só são vendidos na versão FlexPower. A montadora promete ainda para este ano, o lançamento da Montana, uma picape derivada do Corsa.
A Volkswagen, a primeira a vender os carros bicombustíveis, inicialmente só vendia a versão bicombustível na Internet. Agora, a linha também é comercializada nas concessionárias. Mas a grande novidade da montadora alemã é o Fox, o mais esperado lançamento da indústria automobilística nos últimos tempos e o primeiro 1.0 que será lançado com motor bicombustível.

“O Fox vai devolver a liderança de mercado à Volkswagen”, aposta Paul Fleming, presidente da Volkswagen do Brasil. Posicionado entre Gol e Polo, o novo carro foi gerado e desenvolvido no Brasil, por brasileiros, e será produzido na fábrica de São José dos Pinhais, no Paraná.

O design externo é caracterizado pela altura acima dos padrões de carros da categoria e pela inclinação da coluna que segue a linha do teto, sugerindo uma minivan. A traseira truncada, no entanto, ressalta a dimensão compacta do carro. Isso dificulta até a definição da carroceria, um misto de compacto com soluções de minivan.

A Fiat não poderia ficar de fora dessa fatia de mercado e a arma da montadora italiana para combater o Gol Total Flex só chega às lojas em outubro. Por enquanto, a montadora anunciou que o Palio Fire Flex e toda a família Palio (Siena, Strada e Palio Weekend) – com motor 1.3 – usará o sistema de injeção de combustível da Magneti Marelli (o mesmo adotado pela Volks para o Gol Total Flex). O motor do Palio gera 70 cavalos de potência a 5.500 rpm, usando maior proporção de gasolina e 71 cv a 5.500 rpm, se tiver mais álcool no tanque de combustível. O torque (força) fica em 11,1 kgfm a 2.500 rpm (gasolina) e 11,3 kgfm a 2.500 rpm (álcool).

A Ford, que foi a pioneira e apresentou em maio de 2002 um protótipo de um Fiesta 1.6 bicombustível, durante a inauguração do complexo industrial de Camaçari, na Bahia, perdeu a dianteira e ficou para trás. A montadora deve colocar o seu carro bicombustível à venda mais para o fim do ano. A única vantagem da Ford em retardar as vendas do Fiesta Flex Fuel é que a empresa pode verificar se o mercado vai consolidar ou não essa tecnologia.

O mercado

Cerca de seis meses após o primeiro lançamento, as vendas dos veículos bicombustíveis, que rodam com gasolina e álcool, correspondem a mais de 1% do mercado brasileiro, segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).

De acordo com dados da Anfavea, desde março, quando o primeiro veículo bicombustível começou a ser vendido no Brasil, 9.935 unidades foram comercializadas. De janeiro a agosto, a indústria brasileira vendeu um total de 703.655 automóveis de passeio.

Para o presidente da Unica (União da Agroindústria Canavieira de São Paulo), Eduardo Pereira de Carvalho, o preço do álcool tem sido um grande incentivador para as vendas dos automóveis bicombustíveis. Na Grande São Paulo, o preço médio do litro de gasolina é de R$ 1,96, enquanto o do álcool hidratado é de R$ 1,29.

Segundo a Unica, o bicombustível oferece garantia para o consumidor de álcool, que sabe que se não encontrar o combustível nas bombas dos postos poderá comprar gasolina. A produção de álcool no Brasil será de 14 bilhões de litros em 2003, contra os 12 bilhões de 2002. O governo tem procurado garantir a produção. Liberou R$ 500 milhões para financiar a estocagem de álcool, a fim de evitar sua falta na entressafra.