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As matérias-primas que estão a bater recordes nos mercados internacionais

Ouro e prata batem recordes e petróleo está em níveis de 2008. Analistas prevêem a continuação da escalada.

O mercado está a colocar todas as fichas do jogo numa única aposta: as matérias-primas. Em apenas um dia, vários recordes foram batidos e muitos dos preços estão hoje em níveis apenas vistos há alguns anos atrás. Desde o novo máximo do ouro, passando pelo valor mais alto desde 2008 atingido pelo petróleo ou pelo preço mais elevado da prata em 31 anos, o apetite investidor por ‘commodities' não podia estar mais insaciável. Como reflexo, o índice Reuters/Jeferries CRB, a referência nos mercados internacionais de matérias-primas, chegou ontem a cotar acima dos 364 pontos, o valor mais alto em mais de dois anos e meio, ou seja desde o final de Setembro de 2008.

"As duas principais razões para este apetite são a procura por parte das economias emergentes em forte crescimento, nomeadamente a China, e a política monetária extremamente favorável da Reserva Federal", justificou o analista da XTB, Paulo Santos. Para Bruno Costa, da GoBulling, o factor determinante na recente valorização das matérias-primas "é a situação geopolítica do Médio Oriente e norte de África. A importância deste factor de produção é determinante nos custos de produção e exploração das principais ‘commodities' agrícolas, sendo válido também para os metais". Já o sócio executivo da Miranda, Rui Amendoeira, enumerou a "desvalorização do dólar, as perturbações políticas em vários países. De um modo geral, uma maior apetência dos investidores pelas ‘commodities', por serem menos voláteis e de menor risco, em substituição dos investimentos em acções".

O ouro, conhecido por ser um activo de refúgio em tempos de crise, voltou ontem a fazer história ao bater um novo recorde histórico, desta vez nos 1.462,10 dólares a onça ‘troy'. Ao metal precioso juntou-se a prata que, ao negociar nos 39,71 dólares a onça, atingiu o valor mais elevado desde Janeiro de 1980. Ainda que não tenha alcançado uma valorização de encher o olho, o cobre está também no nível mais elevado numa semana, com a especulação de que a forte procura irá continuar. "Os investidores estão a diversificar do dólar e a proteger-se contra uma subida da inflação a nível mundial ao comprarem bens reais", sublinha Pedro Lino. O CEO da corretora Dif Broker revela ainda que "existe um rumor que um grande banco está ‘short' na prata e esse rumor está a impulsionar mais este metal em relação aos outros".

A senda positiva do petróleo continuou ontem, com o preço do "ouro negro" a tocar em níveis de 2008. No caso do crude negociado em Nova Iorque, o preço chegou a ultrapassar a fasquia dos 109 dólares, enquanto que o contrato de ‘brent' chegou a escalar a barreira dos 123 dólares o barril. A instabilidade no Médio Oriente e a recuperação das maiores economias consumidoras do mundo são os dois principais argumentos enumerados pelos analistas para justificar a escalada do petróleo.

Já dizia o anúncio "o algodão não engana" e, desde o arranque do ano, a matéria-prima não tem defraudado as expectativas dos investidores ao ser a que mais sobe, com ganhos superiores a 40%. E a subida não deverá ficar por aqui, tendo em conta que ontem foi excedido o limite máximo permitido para a negociação, ao catapultar 3,5% para os 2.0806 dólares, perante a expectativa de que as colheitas na Austrália poderão ser afectadas pelo mau tempo. As restantes ‘commodities' agrícolas, como o trigo e o milho, registaram valorizações mais tímidas mas as previsões apontam para que possam disparar mais de 4%.

Os especialistas contactados não têm dúvidas em prever a continuação da escalada das matérias-primas. "Sendo que, por um lado, não se antecipa uma inversão significativa da conjuntura económica e, por outro lado, que as tensões geopolíticas são em si imprevisíveis quanto ao seu desfecho, as ‘commodities' podem continuar a registar um movimento positivo", sintetiza o director de investimentos do Banco Best, Diogo Serras Lopes.

As matérias-primas que estão a bater recordes nos mercados internacionais:

Petróleo dispara para o nível mais elevado desde 2008
A instabilidade na Líbia e a recuperação das maiores economias consumidoras têm impulsionado os preços do "ouro negro" que estão em máximos de 2008. Ontem, o crude negociado em Nova Iorque ultrapassou a fasquia dos 109 dólares, enquanto que o ‘brent' chegou a escalar a barreira dos 123 dólares o barril.

Ouro continua a brilhar e já está acima dos 1.460 dólares
O ouro, considerado como um activo de refúgio em tempos de turbulência, continua a brilhar. Ontem, o metal precioso voltou a fazer história ao atingir um novo recorde, desta feita nos 1.462,10 dólares a onça ‘troy'. A queda do dólar e a protecção contra uma subida da inflação são os motivos da aposta dos investidores.

Prata regressa aos níveis de há 31 anos atrás
O apetite investidor tem-se alastrado a todos os metais. A prata não foi excepção e ontem chegou a disparar para os 39,71 dólares, o valor mais elevado desde Janeiro de 1980, ou seja o mais alto em 31 anos. O cobre seguiu a mesma tendência e negociou ontem no preço mais alto numa semana.

Queda das reservas e colheitas animam aposta no trigo
As expectativas em torno da cotação do trigo são elevadas. Além de o Departamento da Agricultura ter revelado que as condições de colheita de trigo estão no pior nível em nove anos, as reservas da ‘commodity' agrícola têm vindo a recuar. O mercado aposta em novos recordes no curto prazo.

Fonte:
Económico