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Argentina, Brasil e Bolívia discutem cotas de fornecimento de gás natural

BUENOS AIRES, 23 Fev 2008 (AFP) – Os presidentes de Brasil, Argentina e Bolívia se reúnem neste sábado em Buenos Aires para discutir as cotas de fornecimento de gás natural proveniente do país andino, diante da maior demanda de Buenos Aires e da rejeição de Brasília em diminuir suas importações.

O presidente boliviano, Evo Morales, reiterou que seu país não pode garantir os níveis prometidos do recurso natural e se manifestou pela redistribuição das cotas, em uma entrevista em La Paz publicada neste sábado pelo jornal argentino Clarín.

“É assim”, respondeu o presidente à pergunta de se “a solução seria redistribuir o volume enviado para Brasil e Argentina”.

“Consideramos que os presidentes e os governos deveriam trabalhar no tema energético ajudando-nos, e desta maneira atender as demandas que têm nossos povos”, disse.

Morales insistiu que se trata de um problema conjuntural e explicou que os investimentos em exploração e produção, que chegarão este ano a cerca de 1,5 bilhão de dólares, permitirão satisfazer a maior demanda.

O tema será o centro do encontro em Buenos Aires dos presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, da Argentina Cristina Fernández de Kirchner, e Morales.

Em 2006, Morales e Nestor Kirchner assinaram um acordo pelo qual a Bolívia deveria enviar para a Argentina 7,7 milhões de metros cúbicos diários de gás, volume que deverá chegar aos 27,7 milhões com a construção do Gasoduto do Nordeste.

Mas a prioridade do Brasil, que tem assegurados 31 milhões de metros cúbicos diários e a demanda do mercado interno boliviano, ameaçam reduzir para pouco mais de 2 milhões de m3 a cota da Argentina.

A proposta boliviana parece não ser apoiada por Brasília, já que tanto o chanceler brasileiro Celso Amorim como o presidente da estatal Petrobras José Sérgio Gabrielli se manifestaram contrários ao corte da cota de gás natural, embora tenham ressaltado a alternativa de atender às necessidades de Buenos Aires com energia elétrica.

“No Brasil há disposição em ajudar a resolver o problema como parte da integração”, afirmou Amorim em uma entrevista coletiva à imprensa na sexta-feira em Buenos Aires, onde acompanhou o presidente Lula em uma visita oficial.

Gabrielli assegurou que “o Brasil precisa de cada molécula” de gás que importa da Bolívia, embora tenha afirmado que a Petrobras é “sensível” ao problema energético de seu maior sócio do Mercosul.

O presidente da companhia de petróleo brasileira negou que tenha havido pressões do governo de Cristina Kirchner para que a empresa ceda parte de sua cota e lembrou que os dois países buscam outras fontes energéticas para atender a este tipo de demanda.

O tom conciliador de Amorim e Gabrielli não coincidiu, em troca, com o da diretora de Gás e Energia da Petrobras, Maria das Graças Foster, que enfatizou que o contrato assinado entre Brasil e Bolívia impõe multas “pesadíssimas” se não for cumprido.

A questão energética esteve na pauta da visita oficial de Lula, que advertiu diante de um lotado Congresso Nacional argentino que o tema é “mundial e muito delicado”e considerou que deveria ser discutido com toda a América do Sul.

Lula exortou o continente a “buscar uma nova matriz energética” que leve em conta o potencial hídrico e nuclear e os biocombustíveis da região.

Fonte:
Uol Economia