A força do setor agroalimentar na economia brasileira

O setor responde por 25% do PIB nacional e desempenha um papel significativo como impulsionador da atividade econômica
O setor agroalimentar é um dos principais pilares da economia brasileira. Considerando toda a cadeia produtiva, que inclui produção agrícola, insumos, agroindústria, transporte e comércio, o setor responde por 20% a 25% do PIB do país.
“O setor é atualmente o motor mais dinâmico da economia nacional, e nenhum outro setor tem um desempenho semelhante“, diz Luiz Honorato Junior, economista e pesquisador da UnB (Universidade de Brasília).
Nos últimos 40 anos, o Brasil deixou de ser um importador de alimentos para se tornar um grande fornecedor mundial. Entre os indicadores mais significativos da trajetória recente da agricultura brasileira estão os dados sobre os índices de produção e produtividade das culturas de cereais (arroz, feijão, milho, soja e trigo).
A produção, que era de 38 milhões de toneladas em 1975, cresceu pouco mais de 831% e deve ultrapassar 354 milhões de toneladas em 2026. No mesmo período, a área cultivada aumentou 200%, chegando a 84,4 milhões de hectares, que deverão ser semeados na safra agrícola de 2025/2026.
Na pecuária, o número de cabeças de gado mais do que dobrou nas últimas quatro décadas, chegando a 238 milhões de cabeças, o que dá ao país o maior rebanho comercial do mundo.
Esse intenso processo de modernização das cadeias produtivas contribuiu para a expansão contínua do PIB agrícola, que cresceu 11,6% em 2025 no total acumulado dos três primeiros trimestres do ano.
Esse desempenho ajudou a sustentar a expansão do PIB nacional em 2,4% no período, de acordo com dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). É comum que o crescimento do PIB brasileiro dependa em grande parte da agroindústria, tanto direta quanto indiretamente.
Os resultados de 2025 se somam aos números consolidados de 2024, quando o setor agroalimentar representou 23,2% da economia brasileira. No mesmo ano, o PIB do setor cresceu 1,81% em relação a 2023, atingindo R$ 2,72 trilhões, segundo dados da CNA e do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada). Desse total, R$ 1,9 trilhão veio do setor agrícola e R$ 819,26 bilhões do setor pecuário.
Sem a contribuição do setor agroalimentar, o crescimento da economia brasileira teria sido menor. De acordo com uma avaliação da Confederação da Agricultura e Pecuária (CNA), se o setor tivesse tido crescimento zero em 2025, o crescimento total do PIB teria sido de 1,6%, e não os 2,4% observados.
O economista da UnB ressalta que, embora o setor petroquímico tenha experimentado crescimento recente e contribuído para a geração de divisas, ele ainda não tem a mesma história, o mesmo grau de solidez ou o mesmo nível de competitividade internacional que o setor agroalimentar brasileiro.
Enquanto a agricultura registrou um crescimento de dois dígitos, outros setores tiveram um crescimento mais moderado no mesmo período. A indústria cresceu 1,7%, os serviços 1,8% e as indústrias extrativas aumentaram 7,4%. Entre os setores com melhor desempenho, além da agricultura, a informação e a comunicação também se destacaram, com uma expansão de 6,2%.
O economista atribuiu a predominância do setor agroalimentar às vantagens comparativas do Brasil, como a vasta área territorial, a longa tradição na atividade agrícola, a disponibilidade de terras, a possibilidade de colher mais de uma safra por ano, os custos relativamente baixos, a abundância de recursos naturais como a água, a boa incidência solar e os baixos custos de mão de obra. Segundo ele, essas condições não são replicadas com a mesma intensidade em outros setores da economia, o que limita a competitividade em outros segmentos.
Exportações
Além de seu impacto no PIB, o setor desempenha um papel central na balança comercial. Em 2025, o Brasil exportou US$ 348,6 bilhões, de acordo com dados da Comexstat do MDIC (Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços). Desse total, US$ 169,2 bilhões vieram da agroindústria, representando 48,5% de todas as exportações do país, de acordo com dados do Agrostat do Ministério da Agricultura e Pecuária.
De acordo com Honorato, esses recursos sustentam a balança comercial e permitem a importação de bens e suprimentos considerados essenciais, como medicamentos, equipamentos médicos, automóveis, máquinas, serviços e outros produtos utilizados pela população e pela indústria.
No ano passado, a China foi o principal destino dos produtos agrícolas brasileiros, respondendo por 32,68% das exportações, seguida pela União Europeia, com 14,9%. Os principais produtos exportados foram carne, café, soja e produtos do complexo sucroalcooleiro. “Os comerciantes não escolhem seus clientes, portanto, se você tiver um grande comprador, ele será o único a gerar volume de negócios e tornar sua empresa lucrativa. Por outro lado, há uma dependência econômica e geopolítica desse ator “Honorato disse em relação à China. Segundo ele, é bom ter o país como um importante comprador, mas dada a sua importância e por ser um comprador quase exclusivo de alguns produtos agrícolas brasileiros, a forte dependência pode ser “preocupante em situações de crise”.
Relevância
O escopo do setor agroalimentar vai além da geração de riqueza. O setor é fundamental para abastecer o mercado interno e o suprimento global de alimentos, o que confere ao Brasil importância estratégica no comércio internacional.
Outro aspecto relevante é a criação de empregos. De acordo com a pesquisa realizada pelo Cepea em cooperação com a CNA, 28,2 milhões de pessoas trabalham no setor agrícola.
O agronegócio tem um forte efeito multiplicador: quando o campo cresce, há repercussões diretas em setores como a indústria de alimentos, transporte, serviços financeiros, comércio, logística e tecnologia.
“Os benefícios que o agronegócio pode trazer para outros setores são incontáveis, porque a renda vai para o Brasil e todos se beneficiam“, disse o economista.
Fonte: CNN Brasil