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Lula e Calderón decidem abrir negociação para acordo de livre comércio

BRASÍLIA – A proposta de negociação de um acordo de livre comércio entre Brasil e México ganhou novo impulso ontem, dos presidentes mexicano, Felipe Calderón, e brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva. Em uma mudança notável no tom dos documentos diplomáticos entre os dois países, o comunicado conjunto assinado pelos presidentes determina explicitamente aos funcionários iniciarem conversas para aumentar o comércio bilateral, incluindo possível negociação do acordo de livre comércio. " Estamos trabalhando fortemente uma política de consolidação do livre comércio entre México e Brasil " , garantiu Lula.

" É melhor um mercado de 300 milhões de consumidores que um de 110 milhões, para o consumidor, para os empresários " , disse Calderón, que, em referência às resistências no México contra o livre comércio com o Brasil, defendeu analisar " serenamente, os convenientes e inconvenientes " do acordo de livre comércio. " Há setores muito sensíveis. Posso assegurar aos empresários que estaremos muito atentos as suas inquietudes, suas opiniões, mas estaremos buscando como melhorar através dos benefícios do comércio. " Na véspera, Calderón havia classificado como " tabu " a discussão do acordo. Até julho, os dois governos baniam o termo " livre comércio " dos documentos conjuntos, como fizeram, no dia 23, após visita a Brasília da ministra mexicana de Relações Exteriores, Patrícia Espinosa. O comunicado assinado por ela e pelo ministro de Relações Exteriores, Celso Amorim, ficou na fórmula tradicional de defesa do " aprofundamento " dos acordos de redução de tarifas já existentes, e limitavam-se a defender " alternativas " , como a troca de informações sobre as respectivas feiras empresariais. Após o sinal verde dos presidentes, ontem mesmo os negociadores dos dois países, o brasileiro Paulo França, diretor do Departamento de Integração Regional do Itamaraty, e a subsecretária mexicana de Negociações Internacionais, Beatriz Leycegui, decidiram, marcar, nos próximos dias, uma data para discutir como cumprir a determinação dos presidentes. Calderón reconheceu que, no México, a negociação de livre comércio com o Brasil " tem muitas resistências a vencer " , e atribuiu as dificuldades a motivações " ideológicas " , a " preconceitos " ou desconhecimento do potencial do Brasil, que mostrou a vantagem de diversificar mercados, segundo o mexicano. " Para a crise econômica mais grave do século, é previsível que o crescimento que necessitamos não virá das economias desenvolvidas, dos Estados Unidos, da Europa, do Japão " , disse. " Virá de economias emergentes, como China, Índia, Brasil e México " .

Abrigados no acordo de complementação econômica firmado pelos mexicanos com os países do Mercosul, na década passada, Brasil e México têm dois acordos de redução de tarifas de importação, um deles exclusivamente voltado ao setor automobilístico. Esse acordo com o México é o único, no Mercosul, que permite aos países sócios firmarem compromissos diferenciados, sem necessidade de aprovação dos parceiros no bloco – o Uruguai já assinou um acordo de livre comércio com o México. Para os industriais brasileiros, o mercado mexicano é o de maior potencial e deveria ser prioridade absoluta nas negociações comerciais do governo brasileiro.

Há resistência, no Brasil, por parte do setor petroquímico, mas estão no México, hoje, os maiores obstáculos, segundo o governo mexicano, por " fadiga de acordos de livre comércio " . O país tem acordos do gênero com 44 países, e há grande temor na indústria e, principalmente, na agricultura mexicana em relação à competitividade dos produtores brasileiros, que atuam em áreas similares. Neste ano, o esforço da Confederação Nacional da Indústria (CNI) brasileira resultou em documento comum com o Conselho Empresarial Mexicano de Comércio Exterior que foi entregue aos dois governos, com propostas de redução de tarifas " para substancial abertura " do comércio bilateral.

Fonte:
Sergio Leo
Valor Econômico