O que representa o primeiro lançamento comercial do Brasil na economia espacial de US$ 1 trilhão

Às 15h45 desta sexta-feira, a partir do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no Maranhão, terá início a Operação Spaceward, o primeiro lançamento de um foguete comercial em território nacional
Nesta sexta-feira (19.12.2025), o Brasil está pronto para romper uma barreira histórica em sua trajetória tecnológica e comercial. Às 15h45, a partir do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no Maranhão, terá inícioa Operação Spaceward, o primeiro lançamento de um foguete comercial em solo nacional. OHanbit-Nano é um foguete de pequeno porte desenvolvido pela empresa sul-coreana Innospace, marcando a primeira vez que uma organização privada utiliza a infraestrutura brasileira para missões orbitais pagas.
A operação foi possível graças a uma licitação pública lançada pela Agência Espacial Brasileira (AEB) em 2020. O principal objetivo dessa estratégia é transformar o CLA em um hub para a prestação de serviços globais, aproveitando a localização privilegiada da cidade de Alcântara, situada a apenas 2° ao sul da linha do Equador. Geograficamente, essa localização permite que os foguetes explorem a velocidade de rotação da Terra de forma mais eficiente, resultando em uma economia de combustível de até 30% para atingir a órbita, tornando o Brasil um dos destinos mais competitivos e lucrativos para as empresas de satélites em todo o mundo.
O foguete Hanbit-Nano, com 21,7 metros de altura e 1,4 metro de diâmetro, transportou oito cargas úteis, totalizando 18 quilos de tecnologia de ponta. Dessas, sete eram de origem brasileira, desenvolvidas por um ecossistema que integra o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), universidades como a UFSC e a UFMA, e startups de deep tech como a Pion. Entre os objetos levados ao espaço estão os satélites FloripaSat-2A e 2B, além de sistemas de navegação inercial que são fundamentais para a autonomia tecnológica do país em setores que vão da defesa ao agronegócio.
Por trás desse lançamento está um imperativo econômico: a inclusão do Brasil na Economia Espacial, um mercado global estimado em US$ 1 trilhão para as próximas décadas. Ao consolidar parcerias público-privadas sob a supervisão do Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA) da Força Aérea Brasileira, o país deixa de ser um mero executor de experimentos científicos isolados e passa a desempenhar um papel logístico estratégico. A missão valida a capacidade técnica e legal do Brasil para sediar lançamentos internacionais, abrindo caminho para que grandes empresas e potências tecnológicas emergentes considerem Alcântara como a porta de entrada mais eficiente para o espaço.
Fonte: Forbes Brasil | Forbes TECH