Mais de 26 milhões de brasileiros são extremamente pobres
Pelo menos 16,2 milhões de brasileiros são extremamente pobres, o equivalente a 8,5% da população. 70,7% não têm rendimento nenhum (4,8 milhões de brasileiros). O restante (11,4 milhões) tem renda que varia de R$ 1 a R$ 70. A estimativa tem como base dados revelados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a partir da linha de extrema pobreza definida pelo governo federal. Desse total, 70,8% são pardos ou pretos e 50,9% têm, no máximo, 19 anos de idade.
Anunciada na terça-feira, dia 3, a linha estipula como extremamente pobre as famílias cuja renda per capita seja de até R$ 70 e ajuda a traçar um parâmetro que será usado para a elaboração das políticas sociais, como o Plano Brasil sem Miséria, que deve ser lançado em breve pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS). De acordo com a ministra do MDS, Tereza Campello, o valor definido é semelhante ao estipulado pelas Nações Unidas.
Além do rendimento, foram consideradas pelo IBGE, para levantar o número de brasileiros em extrema pobreza, condições como a existência de banheiros nas casas, acesso à rede de esgoto e água e também energia elétrica. O IBGE também avaliou se os integrantes da família são analfabetos ou idosos. A maioria dos brasileiros que vivem em situação de extrema pobreza é negra ou parda, jovem e vive na região nordeste.
O mapa revela que 46,7% dos extremamente pobres vivem no campo, que responde por apenas 15,6% da população brasileira. De cada quatro moradores da zona rural, um encontra-se na miséria. As cidades, onde moram 84,4% da população total, concentram 53,3% dos miseráveis. Na região nordeste estão quase 60% dos extremamente pobres (9,61 milhões de pessoas). Em seguida, vem o sudeste, com 2,7 milhões. O norte tem 2,65 milhões de miseráveis, enquanto o sul registra 715 mil. O centro-oeste contabiliza 557 mil pessoas em situação de extrema pobreza.
A análise dos dados revela também que, além da renda baixa, a parcela da população em extrema pobreza não tem acesso aos serviços públicos, como água encanada, coleta de esgoto e energia elétrica. Estima-se, por exemplo, que mais de 300 mil casas não estão ligadas à rede de energia elétrica.
Queda na pobreza em governo Lula supera índices de FHC
Segundo dados divulgados em uma pesquisa divulgada na terça-feira, dia 3, pelo professor do Centro de Política Social da Fundação Getúlio Vargas (FGV), a pobreza caiu 50,64% durante o governo do ex-presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo o estudo, a queda da pobreza na Era Lula superou a registrada durante o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, incluindo o período de implementação do Plano Real. Nesse período, a pobreza caiu 31 9%. O estudo toma como base dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD) e Pesquisa Mensal de Emprego (PME), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Pela pesquisa, a renda dos 50% mais pobres cresceu 67,93% entre dezembro de 2000 e dezembro de 2010. No período, a renda dos 10% mais ricos cresceu apenas 10%.
Fonte:
Jornal Correio da Cidade