Pela primeira vez em dois anos, os prazos máximos e médios dos financiamentos para compra de veículos e outros bens recuaram em dezembro. Também os juros cobrados de consumidores e empresas subiram pela segunda vez seguida, revela pesquisa da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Contabilidade e Administração (Anefac).

 

O movimento de redução de prazos e aumento de juros reflete as últimas medidas tomadas pelo Banco Central (BC), observa o vice-presidente da Anefac, Miguel Ribeiro de Oliveira. No mês passado, o BC elevou o porcentual de depósitos compulsórios dos bancos e tornou obrigatória uma entrada maior nos financiamentos a pessoas físicas com prazos acima de 24 meses.

Além dessas mudanças, a perspectiva de alta dos juros na próxima reunião do Comitê de Política Monetária do BC influenciou a decisão dos bancos. "A alta dos juros e a redução dos prazos já era esperada", diz o economista.

No mês passado, a taxa média de juros ao consumidor em seis modalidades de crédito foi de 6,79% ao mês, com alta 0,05 ponto porcentual em relação a novembro. Apesar da alta, a taxa de dezembro é inferior à registrada no mesmo mês de 2009 (6,86%). Anualizada, a taxa ao consumidor encerrou 2010 em 119,97%.

A principal mudança revelada pela pesquisa de dezembro foi o corte nos prazos dos financiamentos, que não ocorria desde dezembro de 2008. Naquela época, o medo de calote por causa da crise financeira internacional fez os bancos reduzirem o número de prestações. No mês passado, o prazo máximo para veículos caiu de 80 para 60 meses e o médio, de 44 para 41 meses. Nas demais operações, houve corte de 36 para 24 meses no prazo máximo e de 16 para 12 meses no prazo médio.



Fonte:
Márcia de Chiara
O Estado de S.Paulo