{"id":27440,"date":"2013-05-03T00:00:00","date_gmt":"2013-05-03T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/dev.italcam.com.br\/noticia\/quatro-fatores-para-entender-a-crise-do-etanol\/"},"modified":"2013-05-03T00:00:00","modified_gmt":"2013-05-03T00:00:00","slug":"quatro-fatores-para-entender-a-crise-do-etanol","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/italcam.com.br\/it\/quatro-fatores-para-entender-a-crise-do-etanol\/","title":{"rendered":"Quatro fatores para entender a crise do etanol"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;Falta produto para exporta&ccedil;&atilde;o e motoristas preferem abastecer com gasolina<\/p>\n<p>A hist&oacute;ria recente do etanol no Brasil pode ser comparada a um filme  com um roteiro marcado por mudan&ccedil;as repentinas. As primeiras cenas  mostram o ent&atilde;o presidente Luiz In&aacute;cio Lula da Silva alardeando em todo o  mundo o produto feito de cana-de-a&ccedil;&uacute;car como uma alternativa  sustent&aacute;vel aos combust&iacute;veis f&oacute;sseis e algo que poderia mudar a economia  nacional.<\/p>\n<p>A narrativa continua com vit&oacute;rias como a amplia&ccedil;&atilde;o da frota de carros  flex no Pa&iacute;s e a perspectiva de o etanol brasileiro poder entrar no  mercado americano, ap&oacute;s uma intensa disputa com produtores e lobistas  locais.<\/p>\n<p>Mas o que se segue &eacute; uma reviravolta surpreendente, com o Pa&iacute;s sem  etanol suficiente para exportar e, no &acirc;mbito dom&eacute;stico, carros flex  sendo abastecidos sempre com gasolina, por custar menos que o etanol.<\/p>\n<p> <strong><a href=\"http:\/\/noticias.r7.com\/economia\/noticias\/gasolina-vendida-nos-postos-tera-mais-etanol-a-partir-de-hoje-20130501.html?question=0\">Gasolina vendida nos postos ter&aacute; mais etanol<\/a><\/strong><\/p>\n<p>No outro extremo das bombas de combust&iacute;vel, o setor vem enfrentando o  fechamento sistem&aacute;tico de usinas. De 2008 a 2012, mais de 40 deixaram  de funcionar, sendo 30 apenas entre 2011 e 2012, de acordo com a Unica  (Uni&atilde;o da Ind&uacute;stria de Cana-de-A&ccedil;&uacute;car).<\/p>\n<p>Assim, em pouco tempo, a &#39;menina dos olhos&#39; do governo brasileiro acabou mergulhando no que muitos consideram uma grave crise.<\/p>\n<p>Diante desse cen&aacute;rio, o governo lan&ccedil;ou na semana passada um pacote de  medidas para incentivar a atividade sucroalcooleira, que foi recebido  por especialistas e algumas entidades como um alento importante, por&eacute;m  t&iacute;mido demais para impulsionar o setor.<\/p>\n<p>O Minist&eacute;rio de Minas e Energia, por sua vez, afirma que o pacote de  medidas &eacute; resultado de um processo de negocia&ccedil;&atilde;o com o setor produtivo  que come&ccedil;ou em 2011 e durante o qual foram recebidas diversas  sugest&otilde;es.&nbsp;Em nota, o minist&eacute;rio diz:<br \/> &nbsp;<br \/> &mdash; Neste per&iacute;odo, a equipe t&eacute;cnica do governo analisou os impactos das  medidas sugeridas e definiu aquelas que s&atilde;o poss&iacute;veis e necess&aacute;rias.<\/p>\n<p>Veja abaixo quatro pontos que ajudam a entender a atual crise do etanol brasileiro:<\/p>\n<p><strong>Falta de planejamento a longo prazo<\/strong><\/p>\n<p>Especialistas ouvidos pela BBC Brasil e &oacute;rg&atilde;os ligados ao setor  concordam que o crescimento e a consolida&ccedil;&atilde;o do etanol s&oacute; vai ocorrer  quando o governo colocar em pr&aacute;tica uma pol&iacute;tica com efeitos de longo  prazo.<\/p>\n<p>&quot;A falta de planejamento do governo &eacute; a principal causa para a crise  do etanol&quot;, afirma o engenheiro e professor da Unicamp Luis Augusto  Barbosa Cortez, especialista em bioenergia.&nbsp;<\/p>\n<p> &mdash; Essa ind&uacute;stria j&aacute; est&aacute; no pa&iacute;s h&aacute; mais de 40 anos e, mesmo assim, n&atilde;o  h&aacute; uma pol&iacute;tica consolidada. O governo s&oacute; toma medidas espor&aacute;dicas, que  n&atilde;o resolvem o problema pela raiz.<\/p>\n<p>Cortez ressalta que uma das implica&ccedil;&otilde;es dessa falta de planejamento &eacute;  a dificuldade do setor em dissociar a produ&ccedil;&atilde;o de &aacute;lcool da do a&ccedil;&uacute;car,  cujo pre&ccedil;o no mercado internacional &eacute; mais alto e, portanto, mais  atrativo para o fabricante.<\/p>\n<p>&mdash; Se consegu&iacute;ssemos fazer essa separa&ccedil;&atilde;o, muitas usinas n&atilde;o  precisariam ficar produzindo a&ccedil;&uacute;car, e isso impulsionaria a produ&ccedil;&atilde;o de  etanol.<\/p>\n<p>Fatores como esses contribuem para cr&iacute;ticas sobre a estrat&eacute;gia  energ&eacute;tica do Pa&iacute;s. O projeto de liderar o mercado mundial de  biocombust&iacute;vel parece n&atilde;o ser mais priorit&aacute;rio, em um momento em que o  setor avan&ccedil;a em outros pa&iacute;ses, caso do etanol de milho nos Estados  Unidos.<\/p>\n<p>Com a descoberta do pr&eacute;-sal, o petr&oacute;leo voltou a ganhar espa&ccedil;o. Com o  foco de volta nos combust&iacute;veis f&oacute;sseis, o etanol ficou em segundo  plano.<\/p>\n<p>A Unica elogiou o pacote de incentivos do governo, dizendo que ele  aumentar&aacute; em 2,3 bilh&otilde;es de litros a demanda adicional por etanol nos  postos, melhorar&aacute; a competitividade e dar&aacute; &quot;f&ocirc;lego&quot; ao setor (por conta  de novas condi&ccedil;&otilde;es de financiamento e redu&ccedil;&otilde;es de impostos). Mas pediu  apoio ao financiamento de pesquisas sobre o etanol de &#39;segunda gera&ccedil;&atilde;o&#39;  (produzido com o baga&ccedil;o da cana).<\/p>\n<p>Em nota, na semana passada, a Unica setor ressaltou a import&acirc;ncia de  se buscar &#39;incessantemente&#39; solu&ccedil;&otilde;es de longo prazo para retomar o  crescimento do setor e pediu, por exemplo, que se defina melhor o papel  do etanol na matriz energ&eacute;tica nacional.<\/p>\n<p>Por meio de uma nota, o Minist&eacute;rio de Minas e Energia afirmou que o  governo tem atuado para &#39;oferecer condi&ccedil;&otilde;es para o aumento sustent&aacute;vel  da competitividade do etanol&#39; e que &quot;todas as medidas implementadas  foram solicitadas pelo setor&quot;.<br \/> &nbsp;<br \/> O minist&eacute;rio diz ainda que o etanol deve ser competitivo no longo prazo  e, &quot;para tanto, o setor deve atuar fortemente na redu&ccedil;&atilde;o dos custos de  produ&ccedil;&atilde;o e no aumento da produtividade&quot;.<\/p>\n<p>Ainda de acordo com o governo, &quot;a ado&ccedil;&atilde;o de outras medidas de  incentivo solicitadas pelo setor implicariam na volta de subs&iacute;dios, o  que se constituiria um retrocesso&quot;.<\/p>\n<p><strong>Peso da gasolina na economia<\/strong><\/p>\n<p>Para Jos&eacute; Alberto Paiva Gouveia, presidente do Sincopetro (Sindicato  do Com&eacute;rcio Varejista de Derivados de Petr&oacute;leo de S&atilde;o Paulo), que re&uacute;ne  revendedores de combust&iacute;veis, hoje s&oacute; abastece com etanol quem &eacute; muito  preocupado com o meio ambiente.&nbsp;<\/p>\n<p> &mdash; &Eacute; uma uma minoria.&nbsp;A maioria est&aacute; bem mais preocupada com o bolso.<\/p>\n<p>Gouveia acrescenta que s&oacute; vale a pena abastecer com &aacute;lcool se o valor  for at&eacute; 70% do pre&ccedil;o da gasolina, j&aacute; que o etanol &eacute; menos eficiente.<\/p>\n<p>Mas, nos &uacute;ltimos anos, muitos consumidores j&aacute; nem fazem essa conta,  por saberem de antem&atilde;o que a gasolina custar&aacute; menos. Prova disso &eacute; um  levantamento feito pelo bra&ccedil;o de investimentos do banco Ita&uacute;: se em  janeiro de 2009, 80% dos carros flex consumiam prioritariamente &aacute;lcool,  esse n&uacute;mero caiu para 27% em outubro de 2012.<\/p>\n<p>&quot;&Eacute; preciso aumentar a oferta (nos postos), garantindo um pre&ccedil;o (que  cubra os custos dos produtores) e a vantagem para os consumidores&quot;,  diz&nbsp;&agrave; reportagem&nbsp;o diretor t&eacute;cnico da Unica, Antonio de P&aacute;dua  Rodrigues.&nbsp;<\/p>\n<p> &mdash; E tamb&eacute;m precisamos de uma campanha de valoriza&ccedil;&atilde;o, que v&aacute; al&eacute;m do  pre&ccedil;o e mostre as externalidades positivas do etanol, como (as  vantagens) ambientais.<\/p>\n<p>E, segundo especialistas, o etanol vem perdendo a disputa nos postos  por causa da interfer&ecirc;ncia do governo no valor da gasolina.&nbsp;<\/p>\n<p> &mdash; Se a ideia &eacute; voltar a valorizar o etanol, n&atilde;o se pode mais usar a gasolina para fazer pol&iacute;tica econ&ocirc;mica.<\/p>\n<p>Os analistas dizem que, mesmo prejudicando o caixa da Petrobras, o  governo controla o pre&ccedil;o da gasolina para, assim, controlar a infla&ccedil;&atilde;o.  Sem deixar o pre&ccedil;o da gasolina flutuar com o do mercado internacional,  como ocorre na maioria dos lugares, o etanol fica mais vulner&aacute;vel e  menos competitivo.<\/p>\n<p>No in&iacute;cio do ano, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, defendeu a pol&iacute;tica de pre&ccedil;os do governo.<br \/> &nbsp;<br \/> &mdash; Essa pol&iacute;tica implica em manter o pre&ccedil;o m&eacute;dio da gasolina e n&atilde;o  alter&aacute;-lo a cada mudan&ccedil;a de pre&ccedil;os do petr&oacute;leo e derivados.&nbsp;Em alguns  momentos, os pre&ccedil;os ficam acima do mercado internacional e em outros  per&iacute;odos ficam abaixo.<\/p>\n<p><strong>Produtividade<\/strong><\/p>\n<p>A crise financeira internacional de 2008 n&atilde;o passou batida pelas  usinas de cana. Ela encolheu os cr&eacute;ditos e ampliou os custos de plantio,  tornando a produ&ccedil;&atilde;o mais cara.<\/p>\n<p>Para Cortez, ela tamb&eacute;m reduziu os investimentos no setor, inclusive  os de capital estrangeiro, que chegaram ao pa&iacute;s no auge do etanol por  meio de empresas como BP, Shell e Bunge.<\/p>\n<p>E o dinheiro ficou mais escasso tamb&eacute;m na hora de manter e renovar o  canavial &#8211; etapas essenciais para se ter boas safras. Por &uacute;ltimo, a  turbul&ecirc;ncia mundial tamb&eacute;m obrigou usineiros brasileiros a fechar as  portas.<\/p>\n<p>A crise contribuiu para a queda da produtividade de um setor inteiro  nos &uacute;ltimos anos. Mas n&atilde;o s&oacute; ela. Segundo o engenheiro agr&ocirc;nomo Jos&eacute;  Baccarin, da Unesp, a mecaniza&ccedil;&atilde;o da colheita tamb&eacute;m teve sua parcela de  culpa.<\/p>\n<p>&quot;A produ&ccedil;&atilde;o de cana caiu de 86,6 toneladas por hectare em 2006, para  74,7 em 2012&quot;, diz Cortez, ao comentar a queda da produtividade por  hectare.&nbsp;<\/p>\n<p> &mdash; &Eacute; claro que a m&aacute;quina reduz o custo total, mas o corte mec&acirc;nico acaba  desperdi&ccedil;ando parte da cana por n&atilde;o cortar t&atilde;o rente ao solo, como o  manual.<\/p>\n<p>P&aacute;dua Rodrigues, da Unica, diz que o setor viveu uma &quot;crise de  custos&quot;, que englobou desde sal&aacute;rios, recupera&ccedil;&atilde;o de &aacute;reas de  preserva&ccedil;&atilde;o ambiental e perda de produtividade at&eacute; falta de cr&eacute;dito.&nbsp;<\/p>\n<p> Al&eacute;m disso, diz ele, a fase de mecaniza&ccedil;&atilde;o do setor ainda passa por uma  &quot;curva de aprendizagem&quot;, em que muitos dos produtores ainda est&atilde;o  aprendendo a manter a mesma capacidade da &eacute;poca em que a colheita era  manual.<\/p>\n<p><strong>Quest&otilde;es clim&aacute;ticas<\/strong><\/p>\n<p>Cortez, da Unicamp, avalia que &eacute; injusto culpar a cana pela crise no  setor, j&aacute; que n&atilde;o houve cat&aacute;strofes no plantio de cana recentemente, mas  ele admite que as condi&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas prejudicaram as &uacute;ltimas safras.<\/p>\n<p>Uma foi seca demais; outra, muito chuvosa e a terceira (em 2012), veio acompanhada de geada que atingiu v&aacute;rias planta&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>Essas intemp&eacute;ries acabaram contribuindo para o aumento do custo do  etanol. Um impacto que muitas vezes n&atilde;o foi repassado para o pre&ccedil;o,  devido a sua j&aacute; desvantajosa posi&ccedil;&atilde;o. Mas acabou aprofundando o  endividamento do setor e reduzindo sua capacidade de produ&ccedil;&atilde;o &#8211; fechando  esse ciclo de crise do etanol.<\/p>\n<p>*Colaborou Paula Adamo Idoeta<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Fonte:<br \/>BBC Brasil<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; &nbsp;Falta produto para exporta&ccedil;&atilde;o e motoristas preferem abastecer com gasolina A hist&oacute;ria recente do etanol no Brasil pode ser comparada a [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[41],"tags":[63],"class_list":["post-27440","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-notizie","tag-notizie-2013"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/italcam.com.br\/it\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27440","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/italcam.com.br\/it\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/italcam.com.br\/it\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/italcam.com.br\/it\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/italcam.com.br\/it\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=27440"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/italcam.com.br\/it\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27440\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/italcam.com.br\/it\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=27440"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/italcam.com.br\/it\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=27440"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/italcam.com.br\/it\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=27440"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}