Promotores na Itália estão se preparando para reabrir as feridas da crise da dívida da zona do euro. Cinco funcionários da agência de classificação de risco Standard & Poors e um da Fitch são acusados de infligir danos injustificados para a Itália pelo seu papel nas decisões de notação de crédito em 2011 e 2012. As informações são do jornal Financial Times. De acordo com a reportagem assinada por Elaine Moore, o caso se junta a processos que foram levantados contra as maiores agências de risco do mundo por seu papel na crise financeira.

FT destaca que o que marca o julgamento em Trani, no sul da Itália, como incomum é que os funcionários estão sendo acusados juntamente com as agências, apesar do lapso de tempo desde o rebaixamento da Itália. Os italianos estão céticos. No ano passado, auditor do Estado da Itália foi ridicularizado por sugerir que poderia reivindicar mais de € 200 bilhões em danos porque S&P não levou em consideração a história, a arte e a paisagem da Itália ao decidir pelo rebaixamento do país. A reportagem destaca que desde 2012 o rating do país caiu ainda mais, para um grau acima status de "lixo", como resultado do fraco crescimento econômico e uma das maiores cargas de dívida do mundo.

No final de setembro, os juízes em Trani decidiram negar um pedido feito pela defesa de transferência do julgamento para Roma ou Milão. A S&P e a Fitch negam as alegações. "Este caso é baseado em um mal-entendido sobre o nosso papel, que consiste em apoiar a transparência e a liquidez dos mercados através de um parecer independente, com base em nossas metodologias públicas e transparentes", disse a S&P na reportagem. "Como temos dito, acreditamos que este caso não tem mérito e vamos continuar a nos defender", disse Fitch. 

Financial Times reforça que a crise financeira provocou um amplo debate sobre o papel das agências de risco, mas grande parte da indústria aparece em grande medida inalterada. Emissores ainda pagam por classificações, as receitas estão crescendo e apenas três empresas dominam o mercado global. Enquanto numerosos casos associados com a crise financeira foram apresentados contra agências, a maioria foi retirado ou rejeitado. Mas nem todos, diz a reportagem, prosseguindo: em 2012, um tribunal australiano afirmou que a S&P enganou investidores mediante a concessão de um triplo "A" na classificação de derivativos complexos cujos valores, em seguida, entraram em colapso.

A reportagem conclui afirmando que no início deste ano, a S&P pagou US $ 1,4 bilhão para atender as reivindicações feitas pelo Departamento de Justiça dos EUA, com relação ao rating de triplo-A sobre produtos financeiros estruturados criados a partir de hipotecas norte-americanas, apesar dos riscos crescentes no mercado imobiliário. No processo documentos citam que um empregado da S&P teria feito uma piada afirmando que poderia ter conseguido uma classificação mesmo que tivesse sido "estruturada por vacas".

Fonte: Jornal do Brasil