O BID (Banco Interamericano de Investimentos) resolveu mandar um recado aos que culpam os biocombustíveis pela alta nos preços dos alimentos ao investir pesado nos primeiros e escolher o Brasil como país-modelo. Ontem, ele aprovou um empréstimo de US$ 269 milhões para três usinas de álcool em Minas Gerais e Goiás. A instituição diz que a cifra é recorde de investimento no setor para um banco de desenvolvimento. Soma-se ao total US$ 379 milhões que o BID ajudará a levantar em bancos comerciais. No fim do projeto, afirma o banco, o investimento total será de US$ 1,1 bilhão.

"É importante diferenciar [os projetos] que são sustentáveis dos que não são", afirmou o presidente do BID, Luis Alberto Moreno, em almoço com jornalistas brasileiros na sede da entidade, em Washington. "Não se trata de dizer que os biocombustíveis são bons ou maus", disse o colombiano, que chegará hoje ao Brasil para visita de seis dias ao país.

"É o reconhecimento do BID de que a cana-de-açúcar é uma das melhores matérias-primas para produzir combustível renovável", disse à Folha Joel Velasco, representante-chefe na América do Norte da Unica, a União da Indústria de Cana-de-Açúcar. Nos últimos meses, entidades multilaterais como o FMI (Fundo Monetário Internacional), o Bird (Banco Mundial) e a ONU vêm criticando a explosão de programas de biocombustível e colocando neles parte da culpa pela alta recente dos preços de alimentos. Danos ambientais são outra preocupação apontada.

O Brasil e os EUA são os dois maiores produtores de álcool, embora a matéria-prima brasileira seja a cana-de-açúcar, considerada muito mais eficiente que o milho, utilizado pelos americanos. O governo brasileiro defende que menos de 2% da terra agricultável é utilizada pelo programa.

As usinas escolhidas pelo BID para fazer seu maior investimento são consideradas exemplos "avançados" de produtividade, sustentabilidade e adequação ambiental, segundo Warren Weissman, chefe de finança corporativa do banco. Prontas, elas produzirão 420 milhões de litros de álcool por ano -naco significativo da produção brasileira atual, de 17 bilhões de litros por ano.

Além disso, gerarão a sua própria eletricidade com a queima do bagaço e poderão abastecer até 400 mil residências com o excedente. Quem comanda a construção é a Companhia Nacional de Açúcar e Álcool, constituída pela brasileira Santelisa Vale, por fundos privados americanos e pela Global Foods, registrada nas Antilhas Holandesas.

Segundo Moreno, o projeto foi aprovado por unanimidade na diretoria do banco -são 47 os países-membros, dos quais 26 de América do Sul, América Central e Caribe, que são acionistas majoritários; EUA, Canadá, Israel, Japão, Coréia do Sul e 16 países europeus participam como não-mutuários. Era dos últimos que se esperava oposição. "Os brasileiros já fazem isso há muitos anos, o que existe aqui é uma grande oportunidade", disse Moreno.

 
Fonte:
Midiamax