A Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que agrupa 30 nações consideradas "industrializadas", divulgou nesta quarta-feira (26) as suas perspectivas para a economia brasileira e, também, sugestões sobre o que pode ser feito para estimular o desenvolvimento do país.

Por meio do boletim "Estudos Econômicos da OCDE - Brasil", a organização informou que estima uma taxa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 3,6% para este ano e de 3,5% para 2012. Segundo a OCDE, um ritmo de 4% ao ano de crescimento deve retornar somente em 2014 - último ano da gestão da presidente Dilma Rousseff.

Os números da organização constrastam com o otimismo demonstrado pela equipe do Ministério da Fazenda. Oficialmente, o Ministério ainda prevê um crescimento da ordem de 4% do PIB para 2011. Já admitiu, porém, que este número deve ser revisto para baixo em novembro. Para 2012, o governo ainda mantém, na proposta de orçamento, uma previsão de crescimento de 5%.

Banco Central e mercado financeiro
As previsões do Ministério da Fazenda não encontram respaldo dentro do próprio governo. O Banco Central, que recentemente baixou os juros para 11,5% ao ano, considerando que o ritmo de expansão da economia será menor por conta da crise financeira internacional, tem a expectativa de crescimento de 3,5% para este ano. A previsão do BC para 2012 ainda não foi divulgada.

No mercado financeiro, a estimativa também é de um crescimento menor em 2011 e 2012. O último relatório de mercado, que traz as previsões de mais de 80 analistas de bancos para indicadores econômicos, cuja coleta foi feita na semana passada, revela que a previsão de crescimento econômico para 2011 está em 3,3% e, para o ano que vem, em 3,5%.

Visão da OCDE
Para a OCDE, a demanda interna, estimulada por um "investimento vigoroso", deverá provavelmente continuar sustentando a atividade econômica, mas deverá se atenuar. Acrescentou que um crescimento "robusto" deverá ajudar o Brasil a convergir para o PIB per capita de outros países da OCDE e integrar o grupo de países de "rendimento alto".

"Para obter melhor desempenho econômico, será essencial favorecer o investimento produtivo. Notadamente, o desenvolvimento das infraestruturas proporciona oportunidades consideráveis de acelerar o crescimento e a redução da pobreza. As políticas sociais podem melhorar as competências e aumentar os ganhos de rendimento a longo prazo", avaliou a organização.

Desaceleração da economia e inflação
Em 2010, a economia brasileira acelerou e registrou um crescimento de 7,5% sobre o ano anterior - quando o Brasil sentiu os efeitos da primeira etapa da crise financeira internacional. A expectativa de economistas para o crescimento econômico deste ano, e dos próximos, tem recuado desde que foi anunciado o rebaixamento da nota dos Estados Unidos pela Standard & Poors - considerado o início da segunda fase da crise externa.

O termor é de que a desaceleração da economia brasileira, já captada por indicadores econômicos nos últimos meses, possa impactar o mercado de trabalho e, também, a arrecadação de impostos - que cresceu fortemente em 2011 por conta, também, do forte ritmo de expansão do ano anterior. Por outro lado, pode contribuir para impedir um crescimento maior da inflação no Brasil.

Apesar do processo de desaceleração em curso, a OCDE estima que a inflação, medida pelo IPCA, que serve de referência para o sistema de metas brasileiro, ficará acima do que estimam integrantes da equipe econômica. A OCDE prevê um IPCA de 6,5% para 2012 e de 6,2% para o próximo ano. O Ministério da Fazenda estima um IPCA de 5,8% para este ano, enquanto o BC prevê que a inflação fique em 6,4%. Para o próximo ano, o BC tem a expectativa de um IPCA ao redor de 5%.

 

Fonte:
G1