Juros e dólar puxam endividamento para R$ 1,8 trilhão em setembro

A emissão de títulos e a alta do dólar fizeram a Dívida Pública Federal (DPF) subir 2,28% em setembro (4,3 vezes a inflação daquele mês) e ultrapassar a barreira de R$ 1,8 trilhão. De acordo com dados do Tesouro Nacional, o estoque da DPF passou de R$ 1,768 trilhão em agosto para R$ 1,808 trilhão mês passado.

Já a dívida pública mobiliária (títulos em poder do público) interna subiu 1,83%, passando de R$ 1,692 trilhão para R$ 1,723 trilhão, 3,4 vezes a inflação de setembro.

Isso ocorreu porque o Tesouro emitiu R$ 13,3 bilhões em títulos a mais do que resgatou. A alta também foi impulsionada pela incorporação de R$ 17,66 bilhões em taxas de juros.

Lembrando que o Tesouro emite títulos da dívida sempre que compra dólares, o economista Rodrigo Ávila, da Auditoria Cidadã da Dívida, observa que a dívida pública sofre também o efeito dos juros altos.

"Apesar da queda de 0,5 ponto na taxa básica de juros (Selic), para 11,5% ao ano, a taxa de juros brasileira ainda se encontra maior que a vigente no início do governo Dilma e muito maior que a taxa média de juros dos maiores 40 países do mundo, que está negativa em 0,8% ao ano", compara o economista da Auditoria Cidadã da Dívida.

Por isso, ele acrescenta que, mesmo com "cortes draconianos" nos gastos sociais e no investimento, com o superávit primário (desvio de recursos para gastar com juros), sempre crescendo, a dívida da União segue subindo acima da inflação.

Ávila lembrou que, no caso dos estados, o maior vilão é o indexador negociado ainda no governo FH. "O valor do empréstimo da União para os estados, que, em 1998, era de R$ 93,24 bilhões, gerou, apesar de mais de 12 anos de pagamento de prestações mensais, um saldo devedor, em dezembro de 2010, de R$ 350,11 bilhões", contabiliza o economista, citando dados do Ministério Público do Rio Grande do Sul e acrescentando que o MP estuda a legalidade da dívida.

 

Fonte:
Monitor Mercantil