O Banco Central mostrou nesta terça-feira que os gastos de brasileiros no exterior desaceleraram em setembro, mês em que o dólar disparou e fechou com alta de quase 17% - a quinta maior valorização de todo o Plano Real.

No mês passado, segundo números da autoridade monetária, o valor das despesas de brasileiros no exterior totalizou US$ 1,77 bilhão, contra US$ 1,9 bilhão em agosto e US$ 2,19 bilhões em julho. É o valor mais baixo desde maio (US$ 1,66 bilhão). Números parciais da autoridade monetária já indicavam uma desaceleração dos gastos de brasileiros no exterior.

Impacto nos preços

A explicação é que a alta do dólar contribui para encarecer os preços de passagens e hotéis no exterior, que são geralmente cotados em moeda norte-americana. Ao mesmo tempo, também torna mais caros os gastos com cartões de crédito, que também costumam ser cotados em dólar.

"Certamente a evolução do câmbio influenciou este resultado. O volume (de gastos no exterior) caiu bastante em setembro. Os números parciais, do começo de outubro, mostram essa cautela maior com viagens ao exterior. Apesar do câmbio (com queda do dólar frente ao fim de setembro), ainda há muita volatilidade (sobe e desce da cotação)", avaliou o chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Tulio Maciel.

Segundo números do Banco Central, as despesas de brasileiros no exterior em outubro, na parcial até o dia 25, somaram US$ 1,14 bilhão, contra US$ 1,7 bilhão no mesmo mês de 2010 - novamente mostrando desaceleração.

Acumulado do ano até setembro

Apesar da desaceleração em setembro, ainda segundo informações do Banco Central, os gastos de turistas brasileiros no exterior somaram US$ 16 bilhões, com elevação de 40% frente ao mesmo período do ano passado (US$ 11,47 bilhões).

O valor também já se aproxima do volume de gastos registrado em todo ano passado (US$ 16,42 bilhões - recorde histórico). A série histórica do BC tem início em 1947.

 

Fonte:
Jornal A Tribuna