O Fundo das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO, na sigla em inglês) divulgou ontem que o índice FAO de preço dos alimentos, baseado em uma cesta de commodities, alcançou o seu maior valor desde 1990, quando foi criado. De acordo com a organização, esse é o sétimo mês seguido de alta e, entre dezembro e janeiro houve um acréscimo de 3,4% no preço dos alimentos.

Todas as commodities monitoradas pela FAO tiveram aumento em janeiro, sendo a única exceção a carne. Os produtos com maior custo foram o açúcar e os grãos. No entanto, o maior aumento foi o dos laticínios. De acordo com economistas da organização, não há sinais de reversão desses aumentos e aumenta a probabilidade de risco alimentar nos países mais pobres. No entanto, a própria FAO reconhece que a boa safra de grãos registrada nos países em desenvolvimento tem feito com que os preços internamente tenham ficado abaixo das médias internacionais.

O aumento dos preços dos alimentos é de grande preocupação, especialmente para países de baixa renda com déficit de alimentos - que podem enfrentar problemas em financiar as importações - e famílias pobres que gastam a maior parte da renda com alimentação, disse Abdolreza Abbassian, secretário do Grupo Intergovernamental para Grãos da organização.

A preocupação da FAO se alinha com as propostas do presidente francês, Nicolas Sarkozy, de encontrar uma forma de controle internacional dos preços dos alimentos. Sarkozy tem deixado claro aos outros países membros do G-20 que essa será sua principal ação durante a presidência do grupo, apesar de ainda não ter angariado nenhum apoio.

A França tem pressionado a FAO e outras organizações internacionais para obter estudos que comprovem não só a contínua elevação de preços das commodities, mas a manutenção dessa perspectiva. A intenção dos franceses é obter argumentos suficientes para referendar sua proposta.

Combustíveis. Um dos maiores produtores mundiais de alimentos, o Brasil é contra qualquer proposta de controle de preços, seja por intervenção, seja por compra para formar estoques internacionais.

Especialmente, se o controle deixar de fora os combustíveis, considerado pelo País o maior responsável pelo aumento dos alimentos, já que o petróleo é a base para a produção da maior parte dos fertilizantes e é a matéria-prima mais volátil.

 

O Itamaraty acredita que a proposta francesa se concentra na criação de estoques internacionais, o que também agrada a FAO. Porém, a possibilidade de usar recursos públicos para comprar estoques e controlar preços não agrada o governo brasileiro. Apesar de defender uma ação internacional contra a fome, a proposta brasileira tem como base o fim dos subsídios agrícolas dados pelos países ricos - usada em larga escala pela França. / COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

 

Fonte:
Lisandra Paraguassu
O Estado de S.Paulo