O nível da produção de bens e serviços que atua na informalidade, a chamada economia subterrânea, atingiu R$ 656,6 bilhões neste ano. O valor representa 18,6% do Produto Interno Bruto (PIB), de acordo com índice divulgado pelo Instituto Brasileiro de Ética Concorrencial (Etco) e a Fundação Getúlio Vargas (FGV).

O cálculo tem por base os dados da Pesquisa Nacional por Amostra em Domicílio (Pnad) de 2009, a previsão de um crescimento de 7,5% no PIB e a projeção de que a inflação deste ano ficará em 5%. O termo subterrâneo inclui, além de trabalhadores informais, a movimentação gerada com atividades ilícitas, como tráfico de drogas e contrabando.

O percentual do PIB registrado em 2010 mostra estabilidade nos últimos três anos. A cifra, entretanto, é superior neste ano, porque o bolo das riquezas é maior. O dado revisado com a Pnad de 2009, divulgada em setembro, mostra que as os negócios não contabilizados pelo governo movimentaram R$ 583,7 bilhões no ano passado, cerca de 18,6% do PIB.

Fernando de Holanda Barbosa Filho, pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre/FGV), lembra que a comparação dos valores absolutos ajuda a tirar a visão equivocada de que a manutenção do percentual em relação ao PIB representa um dado positivo.

– No nosso entendimento, a redução de 2003 a 2008 foi um fator conjuntural ocasionado pelo elevado crescimento do produto e elevada expansão do crédito. Uma vez que esses dois fatores reduziram seu ritmo em 2009, e na ausência das reformas estruturais, ele teve uma parada.

O indicador recuou de 21%, em 2003, para 18,7% em 2008. Segundo o presidente-executivo do Etco, André Montoro, ao mesmo tempo em que o crescimento da economia contribui para diminuir esse percentual, também eleva a procura por serviços do comércio subterrâneo.

Fonte:
Diário Catarinense