A burocracia e a falta de estímulo ao empreendedor continuam condenando as pequenas empresas a terem uma vida curta e a fechar as portas com menos de um ano de funcionamento. É o que mostra um levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgado ontem, no qual se constata que as companhias de maior porte têm mais chances de permanecer operando no país.

Baseado no Cadastro Central de Empresas (Cempre), o estudo aponta que, em 2008 (ano-base da pesquisa), 78,2% das 4,077 milhões de empresas ativas eram consideradas sobreviventes por estar em operação havia mais de um ano. Entre as formadas apenas pelo dono ou pelos sócios, sem funcionários assalariados, apenas 67,6% tinham esse status. O índice de permanência aumenta conforme o porte da companhia. Nas que tinham em seu quadro até nove empregados, o percentual chegou a 89,2%. Acima de 10 trabalhadores, a resistência a mais de um ano de funcionamento atingiu 96%.

Para Kátia Carvalho, economista do Cempre, empresas mais musculosas tendem a ser abaladas com menos facilidade pelas flutuações de mercado. “As companhias maiores têm um capital imobilizado (imóveis e máquinas) mais expressivo e a decisão de fechar as portas é complicada. Elas têm mais a perder”, avaliou. Segundo a analista, como o investimento inicial dessas empresas é mais volumoso, também são maiores as dificuldades para que elas encerrem os negócios.

Fôlego curto
O economista-chefe da Confederação Nacional do Comércio, Carlos Thadeu de Freitas Gomes, chama a atenção para o fôlego curto das empresas pequenas nas questões operacionais. “Os estabelecimentos têm menor poder para, por exemplo, tomar crédito, o que dificulta o acesso a capital de giro. Se não são altamente especializadas, com caixa reforçado e menor dependência dos bancos, acabam fechando”, constatou. Outro problema que afeta as firmas, segundo Gomes, é a possibilidade reduzida que elas têm de diluir os custos totais, por terem uma estrutura enxuta.

O estudo do IBGE traça também um diagnóstico da mobilidade das empresas em 2008. Naquele ano, as mais de quatro milhões de companhias ativas empregaram 32,9 milhões de profissionais (27 milhões de assalariados e 5,9 milhões como sócios ou proprietários). Do total, 889,5 mil entraram no mercado aquele ano (pela primeira vez ou reativadas) e 719,9 mil saíram. “Apesar de termos uma movimentação intensa e muitas companhias deixando o mercado, o saldo ainda é bom e tem se mantido sempre positivo, com mais entradas que saídas”, destacou Kátia.

Empregados

Do total de empresas com mais de 10 assalariados na folha de pagamento, 8,3% (cerca de 30,8 mil) foram consideradas de “alto crescimento” por registrar taxa de incremento no quadro de empregados superior a 20% por ano, por pelo menos três anos. Apesar de ser a primeira medição do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o padrão é considerado alto, uma vez que a média internacional fica entre 3% e 6% das empresas.

 

Fonte:
Correio Braziliense