SÃO PAULO - O déficit em conta corrente de maio - que marcou R$ 3,55 bilhões (US$ 2,02 bilhões) - é o pior resultado registrado para o mês desde 2001, segundo informou ontem o Banco Central. As expectativas do BC eram piores, uma vez que o valor esperado era de déficit de US$ 2,7 bilhões.

Nestas contas estão incluídos os resultados da balança comercial brasileira (saldo de tudo o que o país vendeu e comprou no exterior), além de serviços importados e exportados e as rendas obtidas no exterior por brasileiros ou no Brasil por estrangeiros.

O chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes, ressaltou que o resultado de maio é satisfatório. "O resultado para maio é bom, mostra algumas acomodações."

A melhora das contas do mês foi puxada pelo aumento do superávit da balança comercial. O superávit do comércio exterior do País passou de US$ 1,284 bilhão em abril, para US$ 3,44 bilhões no mês passado.

Na revisão trimestral das suas estimativas para as contas externas, o BC subiu em US$ 3 bilhões o superávit comercial previsto para este ano, passando de US$ 10 bilhões para US$ 13 bilhões. Essa elevação na projeção reflete o aumento das metas de exportação e importação que passaram de US$ 173 bilhões para US$$ 185 bilhões e de US$ 163 bilhões para US$ 172 bilhões, respectivamente.

No acumulado do ano, o déficit em transações correntes subiu para US$ 18,748 bilhões, o equivalente a 2,35% do Produto Interno Bruto (PIB).

No mesmo período do ano passado, o déficit acumulado era quase três vezes menor, de US$ 6,602 bilhões. Em 12 meses até maio, o déficit subiu para US$ 36,448 bilhões ou 1,94 % do PIB.

Outra estimativa feita foi para o déficit em conta corrente, que foi mantido em US$ 49 bilhões. Se confirmado, este será o maior déficit desde 1947 para um ano fechado. Até o momento, o maior déficit em conta corrente foi registrado em 1998 (US$ 33,4 bilhões), de acordo com o BC.

Lopes tentou demonstrar tranquilidade com o déficit externo brasileiro. Segundo ele, apesar de ser elevado o valor do déficit em conta corrente para este ano, em proporção ao PIB o saldo negativo projetado não é tão grande: 2,49%. "Este valor é perfeitamente financiável. Em sua história, o Brasil já conviveu com déficits externos de 4% e 5% do PIB."

Além disso, o chefe do Depec destacou que o Brasil conta com um elevado colchão de reservas internacionais. Para Altamir, a tendência é que o déficit em conta corrente brasileiro nos próximos anos se estabilize nesse patamar, ou um "pouco acima" disso, mas sem ter uma trajetória explosiva.

Em maio, a liquidação do saldo remanescente das operações de empréstimo em moedas estrangeiras no valor de US$ 24 milhões, propiciou a convergência dos estoques de reservas internacionais, os quais atingiram US$ 250 bilhões.

Altamir Lopes pontuou que as remessas de lucros e dividendos de empresas instaladas no Brasil para as suas matrizes no exterior tendem a crescer e se acomodar em 2010. "Mas não é nada estupendo", disse. A previsão do BC é que as remessas fechem o ano em US$ 32 bilhões ante US$ 25,218 bilhões registrados em 2009.

Ele informou que as remessas de lucros e dividendos em junho, até hoje, somam US$ 1,724 bilhão. As despesas líquidas com pagamentos de juros externos no mês somam US$ 579 milhões.

As remessas líquidas de renda para o exterior totalizaram US$ 3,2 bilhões em maio, elevação de 12,5% em relação ao mesmo mês do ano anterior. As saídas líquidas de renda de investimento direto somaram US$ 1,7 bilhão, ante US$ 1,9 bilhão no mesmo período comparativo.

Investimentos

O BC baixou sua previsão para o ingresso de investimentos estrangeiros diretos (IED) no Brasil de US$ 45 bilhões para US$ 38 bilhões em 2010. "Tínhamos uma perspectiva bastante positiva quando projetamos os investimentos diretos da primeira vez [no início deste ano]. Estamos revisando para baixo justamente por força de uma retomada menos intensa do que esperávamos para a economia mundial."

Os investimentos estrangeiros diretos em maio, de R$ 6,35 bilhões (US$ 3,53 bilhões), foram os melhores para o período na série histórica do Banco Central, que começa em 1947.

Com a previsão de queda de entrada deste capital, o País terá de contar com mais aplicações financeiras para manter o resultado. Os gastos com viagens internacionais no ano também foram revistos, passaram de R$ 13,2 bilhões para R$ 15 bilhões.

Em maio, a dívida externa total foi estimada em US$ 218 bilhões, elevando-se US$ 6,8 bilhões.

Depois de registrar déficit de US$ 2 bilhões em maio, o Banco Central projeta um resultado negativo para as contas externas de US$ 49 bilhões, que seria o pior da história.

Fonte:
DCI