Os 48 membros do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) aprovaram ampliação de capital de US$ 70 bilhões, nesta segunda-feira, dia 22. Com o aumento, a capacidade de crédito da entidade quase duplica.

A ampliação, acertada por um comitê negociador dos ministros, foi referendada pelo plenário da assembleia anual. "Esperamos poder cumprir o objetivo de US$ 12 bilhões de desembolsos por ano", disse Oscar Zuluaga, ministro colombiano da Fazenda, que ocupa o cargo de presidente da assembleia de ministros do banco.

Com a ampliação de recursos, o Haiti, a grande causa humanitária dos Estados Unidos, principal acionista do BID, terá sua dívida de US$ 479 milhões perdoada, informou Zuluaga. Além disso, o país mais pobre do continente poderá receber US$ 200 milhões em doações a cada ano, durante uma década.

A proposta de ampliação foi aprovada, mas sofreu pressão de Washington que conseguiu impor uma redução de US$ 10 bilhões ao valor de US$ 80 bilhões, ambicionado pelo restante dos membros. Para atingir a quantia, os países aportarão ao BID US$ 1,7 bilhão em capital efetivo, o que representa 2,4% da ampliação.

O resto será em garantia soberana. "Não é apenas o maior aumento da história da instituição, mas também nos permitirá ser a primeira fonte de recursos multilaterais da região", explicou Luis Alberto Moreno, presidente do Banco.

Capital insuficiente

O ministro brasileiro do Planejamento, Paulo Bernardo, disse que o BID precisará de uma nova recapitalização em três ou quatro anos, apesar do aumento de capital. "Este acordo permite manter um nível de aprovação e desembolso (anual) da ordem de US$ 12 bilhões, mas é preciso lembrar que no ano passado o Banco aprovou quase US$ 16 bilhões e que a demanda é crescente", destacou Paulo Bernardo.

"Para os próximos três anos isto está resolvido, mas a demanda continua crescendo (...) e não descarto que em quatro anos voltemos a discutir um novo aumento de capital". "Poderíamos ter tentado dar ao BID o tamanho necessário para atender todas as demandas que vai ter", explicou o ministro. "Se no momento em que todos esperam um Banco maior você fica limitado a regulamentos; ou a direção busca alternativas ou vamos pressionar para resolver este problema".

 

Fonte:
eband