BRASÍLIA - O spread bancário - diferença entre os juros que o banco paga na captação de recursos e o que ele cobra na concessão de empréstimo - fechou 2008 em 39,98%, bem acima dos 28,40% do ano anterior. Os números constam do Relatório de Economia Bancária e Crédito, relativo a 2008, divulgado hoje pelo Banco Central.

Pela primeira vez, o BC separou os índices por bancos públicos (Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil) e bancos privados, aqui consideradas as dez maiores instituições financeiras do setor privado. O spread total computa os 12 bancos.

De acordo com o relatório, o spread cobrado pelos bancos públicos encerrou o ano de 2008 com média de 37%, ante 28,73% do ano anterior. Enquanto isso, o spread médio dos bancos privados alcançou 40,98%, bem acima dos 28,32% cobrados em 2007.

Assim, o spread de 28,73% dos bancos públicos, em 2007, foi maior que o spread de 28,32% dos bancos privados, e o mesmo ocorreu de 2001 a 2006. Isso porque o BB e a Caixa pagavam um pouco menos que os bancos privados na captação de recursos dos clientes e cobravam taxas de empréstimos mais elevadas, como especifica o relatório do BC.

A partir desta observação, a metodologia de composição do spread bancário foi alterada, dando maior peso ponderado à inadimplência, que aumentou de 9,36%, em 2007, para 13,27%, em 2008, com uma elevação de 33,19%. A margem líquida de lucro também cresceu de 8,33% para 11,62%, com aumento de 29,06%, além de evoluções na carga de impostos e no custo administrativo.

O relatório do BC destaca que os dados de 2008 revelam uma reação mais moderada dos bancos públicos, relativamente aos bancos privados, diante da crise financeira internacional, quando os bancos estatais ganharam depósitos, ao mesmo tempo em que as demais instituições se retraíram e perderam mercado.

Principalmente porque os bancos privados reajustaram mais intensamente suas margens, em face da piora do cenário econômico, e reviram para baixo a classificação de risco de suas novas operações de crédito. Com essas respostas diferenciadas, os bancos públicos puderam praticar spread menor que os bancos privados em 2008, pela primeira vez desde 2001.

Fonte:
(Agência Brasil)