GENEBRA - O Brasil passou a Rússia e é agora considerado o quarto país mais atrativo por grandes empresas internacionais para receber mais Investimentos Diretos Estrangeiros (IDE), quando o fluxo começar a se recuperar a partir do ano que vem.

Uma pesquisa da Agência das Nações Unidas para o Comércio e Desenvolvimento (Unctad) mostra que multinacionais pretendem retomar moderadamente o fluxo de IDE em 2010 e avançar mais projetos a partir de 2011. A pesquisa com 241 grandes empresas complementa outro relatório, da própria Unctad, que prevê que o fluxo de IDE, que bateu o recorde de US$ 1,7 trilhão em 2007, pode cair pela metade neste ano, em meio à crise global.

O fluxo de IDE passa por " dramáticas mudanças " desde o final de 2008 e 85% das companhias se mostram prudentes em investir este ano, comparado a 40% com a mesma opinião no ano passado. A lista dos países mais bem vistos pelas grandes empresas mudou pouco. A China é o primeiro, os EUA tomaram o lugar da Índia como segundo e, depois dos indianos, vem o Brasil, que empurrou a Rússia para o quinto lugar.

Entre os setores, o de alimentos, bebidas e tabaco parece o menos afetado pela crise. Companhias como Nestlé esperam um pequeno declínio nos investimentos este ano e retomada em 2010. No caso de produtos de consumo, têxteis e vestuário, a Unctad aponta sinais de ligeira melhora. Empresas como a L´Oréal e a Liz Claiborne esperam estabilizar suas vendas ainda este ano. Globalmente, a indústria farmacêutica também mantém planos de elevar investimentos externos até 2011. Já a indústria automotiva, uma das mais afetadas, planeja realocar atividades de países industrializados para nações em desenvolvimento com custo menor. Eletrônicos, químicos e bens intermediários mantêm programas de cortes de despesas. Na área de serviços, os programas de investimentos foram menos afetados, segundo a pesquisa.

Fonte:
Valor Econômico