A crise econômica atual pode acarretar em problemas nos campos humano e social se não forem tomadas as medidas adequadas a tempo. A afirmação é do presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick.

Segundo ele, as medidas populistas e protecionistas no intuito de diminuir os efeitos da crise podem atrasar a recuperação da economia e dos países e a ameaça da falta de financiamento a países emergentes.

'Se não tomarmos medidas, há o risco de que ocorra uma grave crise humana e social, com implicações políticas muito importantes', disse ele, em entrevista publicada na edição deste domingo (24) do jornal espanhol 'El País'.

Brasil
De acordo com Zoellick existem economias emergentes que estão mais fortes que as outras, mas que todas devem sofrer com a falta de financiamento para os seus setores produtivos.

'A China pode surpreender a todos, tem obtido bons resultados com seu plano de estímulo. Para países como o México e Brasil, a principal ameaça é a falta de acesso a financiamentos. O setor produtivo [desses países] ainda não está restabelecido', disse.

O titular do Banco Mundial alertou que o cenário atual ainda é imprevisível para todos os países do mundo e que é melhor 'estar preparado'. 'O que começou como uma grande crise financeira e se converteu em profunda crise econômica, agora está derivando para uma grande crise de desemprego.'

'Se criarmos infraestruturas que ponham essas pessoas para trabalhar, isso pode ser uma forma de unir planos de curto prazo com estratégias de longo prazo', avaliou.

Zoellick disse que outras medidas que chamou de 'zonas de penumbra' também o preocupam, como o risco de aumento do protecionismo e problemas de dívida privada em economias emergentes.

'E ainda há o que eu chamo de fator X, algo que nunca se vê acontecendo, como a gripe A [a gripe suína, oficialmente chamada de H1N1]', acrescentou.

Recuperação
Apesar de acreditar na retomada da economia titular, Zoellick disse que 'será uma recuperação de baixa intensidade, durante um tempo prolongado'. E acrescentou: 'o desemprego vai continuar crescendo'. 'A probabilidade de uma grande depressão é baixa, porém nunca nula', afirmou.

Fonte:
Correio*
(com informações de Agências Internacionais)