A menor demanda e o aumento da produção interna vão diminuir a necessidade de importação de óleo diesel neste ano, segundo a Petrobras. O diretor de abastecimento e refino da estatal, Paulo Roberto Costa, estimou nesta segunda-feira que o país poderá importar menos de 10% do consumo total do combustível. No ano passado, dos cerca de 45 bilhões de litros consumidos no país, aproximadamente 15% foram obtidos no exterior.

"Há uma demanda menor, pela crise e, principalmente, pelo fato de as usinas termelétricas movidas a diesel não estarem ligadas. Associado ao crescimento da produção, com a modernização das refinarias, talvez importemos menos de 10% do consumo esse ano", afirmou Costa, durante visita à Reduc (Refinaria de Duque de Caxias), na Baixada Fluminense. Ele acrescentou que o consumo de diesel teve retração ao longo do primeiro trimestre, mas apresentou leve recuperação em março.

Costa não precisou o incremento da produção doméstica de óleo diesel, mas lembrou que, desde setembro, o país deixou de gastar o equivalente a cerca de US$ 700 milhões com a importação deste derivado do petróleo. O executivo evitou fazer projeções a respeito da economia que será gerada daqui para frente, explicando que a variação do custo do barril do petróleo dificulta uma estimativa mais precisa.

A Petrobras está investindo US$ 8,5 bilhões na modernização de suas refinarias para poder ofertar ao mercado gasolina e diesel menos poluentes. A Reduc iniciou a produção do diesel S-50, que tem menor teor de enxofre que o diesel S-500, que é comercializado nas regiões metropolitanas do país. O diesel S-50 está sendo utilizado nas frotas de ônibus das regiões metropolitanas do Rio e de São Paulo desde janeiro. No Rio, as primeiras aferições indicam que os ônibus que estão usando esse combustível estão emitindo, em média, 17% menos gases poluentes na atmosfera.

A estatal projeta que a demanda de S-50 em 2009 será de 1,5 bilhão de litros. Desde janeiro, foram importados 220 milhões de litros do S-50. A Reduc terá capacidade anual de produzir entre 360 milhões e 400 milhões de litros. Paulo Roberto Costa disse ainda que a Petrobras vai estender a produção de diesel S-50 a outras unidades de refino, mas não estipulou prazos. O diesel S-50 tem um custo 10% mais caro, em média, do que o diesel S-500.

Preço

Costa comentou que a Petrobras ainda vê volatilidade no preço do barril do petróleo, ainda que em menor intensidade. Segundo ele, o custo do barril continua oscilando, ainda que em proporção menor. A companhia alega que procura não repassar ao mercado brasileiro a volatilidade do preço do barril, em relação ao diesel e a gasolina. Ele evitou comentar sobre uma possível redução no preço da gasolina.

Sobre o aumento da Cide, imposto que incide sobre a gasolina, Costa disse que é uma decisão do Governo, e que não teria impacto sobre o combustível vendido pela companhia nas refinarias.

Fonte:
PortalMS