A economia brasileira encolherá 1,3% em 2009, no meio da maior recessão mundial do segundo pós-guerra, e crescerá 2,2% no próximo ano, segundo as novas projeções do Fundo Monetário Internacional (FMI).

Todas as previsões divulgadas ontem são piores do que as de janeiro e apontam para uma recuperação muito lenta para as economias avançadas: sua produção diminuirá 3,8% neste ano e ficará estagnada em 2010, quando o desemprego no mundo rico chegará ao ponto mais alto, 9,2%.

Os números do FMI são muito mais baixos que os do governo brasileiro – expansão de 2% em 2009 e de 4,5% no próximo ano – e mais pessimistas do que os do mercado financeiro nacional, de contração de 0,49% neste ano e crescimento de 3,5% no próximo. Mas a nova estimativa reflete uma avaliação mais negativa do cenário internacional e não das condições fundamentais da economia brasileira, segundo explicou o diretor adjunto do setor de pesquisa do FMI, o economista Charles Collyns.

O Brasil e outros países da América Latina são afetados, disse ele, por uma combinação de choques: o abrupto declínio dos preços dos produtos básicos, o aperto nas condições de financiamento e a desaceleração do comércio global. Esses fatores, de acordo com Collyns, produziram forte impacto na economia brasileira no último trimestre do ano passado, mas já houve sinais de melhora no primeiro trimestre de 2009, graças ao uso de estímulos fiscais e “aos cortes agressivos da taxa de juros”.

Foi bom, disse o economista, o país ter conquistado algum espaço de manobra para reagir à crise dessa maneira, e “isso com certeza está amortecendo o impacto de grandes choques globais no Brasil”.

Recuperação mundial só no ano que vem

A previsão para a economia global aponta a continuação das dificuldades em 2009 e um retorno ao crescimento apenas no próximo ano.

– Não achamos o Brasil particularmente fraco: ao contrário, é um membro importante da economia global e as projeções para o Brasil foram reduzidas em linha com as projeções globais – concluiu.

O comércio mundial de bens e serviços recuará 11% neste ano e crescerá 0,6% em 2010, segundo a projeção. Em 2009 os preços do petróleo serão em média 46,4% menores que em 2008. Para as cotações das outras commodities prevê-se a queda de 27,9%.

A reativação da economia global será mais lenta do que noutras crises, lembrou Blanchard. Ele se referia a uma das conclusões mais importantes do Relatório de Estabilidade Financeira Global, divulgado no dia anterior. Recessões tendem as ser mais longas e profundas quando ocorrem simultaneamente em várias economias grandes e são associadas a crises financeiras.

Fonte:
Díario Catarinense