Roma, 26 Ago (Lusa) - Um grupo de 16 empresários italianos constituiu hoje a Companhia Aérea Italiana, com o objectivo de criar uma nova transportadora aérea de bandeira italiana que ficará com os activos e rotas da Alitalia.

O presidente da nova Companhia Aérea Italiana é o empresário e responsável da Piaggio, Roberto Colaninno, ficando Rocco Sabelli como único administrador, segundo a imprensa local.

A nova companhia é formada até ao momento por 16 sócios, que subscreveram participações simbólicas de "poucos milhares de euros", indicou a agência Agi.

Entre os accionistas, segundo as fontes, aparecem, além de de Colaninno, o presidente do grupo Pirelli, Marco Tronchetti Provera, o dono da transportadora área italiana AirOne, Carlo Toto, companhia que também trará activos, além do banco Intesa-SanPaolo, e a família Benetton através da gestora de auto-estradas Atlantia.

A Alitalia, que vive uma situação financeira crítica, procura há quase dois anos um comprador. Depois do fracasso das negociações com Air France-KLM, o presidente do Governo, Silvio Berlusconi, assegurou que um grupo de empresários italianos a compraria para evitar que caísse em mãos estrangeiras.

O diário económico "Il Sole 24 Ore" sustentou hoje que o compromisso financeiro total do grupo de investidores italianos ultrapassa os mil milhões de euros.

Desse montante, 200 milhões serão assegurados por Colaninno, outros cem pelo dono de AirOne, Carlo Toto, e o resto de 30 a 50 milhões cada um.

Segundo o diário, essa oferta estaria ligada a algumas condições como a possibilidade de negociar os contratos de trabalho e a garantia de não incorrer em "excessivas limitações" antimonopolio.

O grupo de investidores italiano manteve segunda-feira uma reunião para analisar o projecto "Fénix", de saneamento e relançamento da Alitalia, elaborado pelo banco Intesa-SanPaolo, que actua como assessor.

Esse projecto deverá contemplar a presença de um sócio estrangeiro e, embora a imprensa italiana tenha assinalado num primeiro momento a alemã Lufthansa, hoje especulou com uma nova entrada em cena da Air France-KLM.

A companhia franco-holandesa foi até à data a candidata mais firme à compra da Alitalia e negociou durante meses, até que finalmente decidiu romper os contactos devido a divergências com os sindicatos italianos.

O Conselho de Administração da Alitalia reúne-se sexta-feira para analisar os resultados semestrais do grupo, que segundo os últimos dados publicados acumula uma dívida de 1.164 milhões de euros e perde cerca de um milhão de euros por dia.

 

 

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