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Italianos adotam outras seleções para curtir a Copa

Por Clara Albuquerque

Acostumados a torcer para sua seleção na Copa do Mundo, os italianos se viram com um
problema no Mundial de 2018. Sem a Itália, que não ficava fora do torneio desde 1958, para
quem torcer e como conseguir curtir a competição tão aguardada no mundo do futebol? Sem
saber exatamente como lidar com a situação, os italianos têm mostrado bom humor e
criatividade, ainda que o sentimento de decepção, e às vezes até um pouco de indiferença,
esteja lá.

“Seria muito diferente se a Itália estivesse na Copa. Veríamos bandeiras nas janelas, camisas
da seleção e, com certeza, os bares estariam bem mais cheios durante os jogos”, conta
Alessandro Labile, 37 anos, gerente do Huntsman Pub, em Turim, cidade da heptacampeã
italiana Juventus. O bar está transmitindo todos os jogos do Mundial, ainda que o movimento
seja bem abaixo do imaginado se a seleção do país tivesse se classificado. Para tentar
aproveitar o torneio, o gerente e os funcionários do lugar adotaram a Colômbia como seleção
durante a Copa: “Temos simpatia pelos colombianos. Para o Brasil, que já tem cinco títulos,
ou Alemanha, que está empatada com a Itália, é que não vamos torcer”, explica.

Escolher uma outra seleção para apoiar, aliás, é uma das receitas para não deixar o evento
passar em branco: “Claro que torcer, torcer mesmo, com o coração, só pela Itália, mas vou
acompanhar a Argentina. É uma seleção forte e que deve avançar até as fases finais, então vou
tentar aproveitar dessa forma”, declara o engenheiro Roberto Olivero

Torcida oficial

Alguns clubes italianos, além de torcer por seus jogadores convocados para Copa, também
aderiram a ideia. A Roma, que tem três representantes na Rússia, incluindo o goleiro titular da
seleção brasileira, Alisson, decidiu torcer oficialmente para a Nigéria. O motivo? Nas quartas
de final da última Liga dos Campeões, um narrador nigeriano, Mark Otabor, caiu nas graças
do clube após “enlouquecer” com a virada do time italiano sobre o Barcelona na competição.

Desde então, as redes sociais da Roma estão recheadas de incentivos à seleção nigeriana.
A Gazzetta dello Sport, principal jornal esportivo do país, também definiu uma seleção para
chamar de sua. Através de uma pesquisa entre seus leitores, o jornal escolheu a Islândia e
enviou um de seus repórteres para conhecer um pouco mais do país adotado: “Nós somos a
Azzura e eles são a Azzura do Norte! Descobri um lugar tão apaixonado por futebol como a
Itália ou o Brasil. Uma sociedade livre e muito democrática. Eu vou torcer para a Islândia,
assim como muitos italianos, mas com um pouco de lamento já que não tem a nossa Azzura”,
conta o jornalista Filippo Conticello depois de passar alguns dias na terra do gelo.

Craques

Escolher um ou mais jogadores para torcer é outra tática que ganhou adeptos. Alessandro Del
Piero, ex-jogador e ídolo da Juventus e da Seleção italiana, campeão mundial em 2006, por
exemplo, anunciou em suas redes sociais que torcerá para os camisas 10 que entrarem em
campo na Rússia, dando destaque para Brasil e Argentina.

Fonte: https://esportes.yahoo.com/noticias/italianos-adotam-outras-selecoes-para-curtir-copa-123914356.html