Jornal do Brasil - Economia | Agência ANSA

Economia da Itália cresce mas corre perigo com eleições

A economia italiana atravessa um bom momento, com índices de crescimento e previsões otimistas depois da severa recessão de 2012 e 2013, mas a situação poderá se reverter depois das eleições legislativas deste domingo.

Pela primeira vez em sete anos, a terceira maior economia da zona do euro se expandiu: o Produto Interno Bruto (PIB) aumentou 1,4% em 2017.

Esse resultado, entretanto, está abaixo da média da Europa, de 2,5%, e muito longe do registrado em 2008, de 5,7%.

Para economistas, o ponto fraco da Itália é seu nível de produtividade, entre os mais modestos da Europa, devido a uma série de fatores, entre eles a falta de crédito, problemas de capacitação e clima pouco favorável para os empresários. 

"Desde 1999, a diferença (de produtividade) entre Itália e os maiores países da zona do euro cresceu significativamente", explicou Nicola Nobile, da Oxford Economics.

O PIB por hora de trabalho é 25% inferior ao da Alemanha e da França, segundo ele. 

Embora o "Made in Italy" seja líder em muitos setores, como moda e design, os políticos italianos não se destacam por suas estratégias, afirma Alessandro Iliprandi, gerente da Bonaudo, empresa especializada em couro, setor-chave para o país, responsável por 65% da produção europeia. 

- Empregos precários -

"Por décadas reinou a instabilidade política" e isso afeta "a vida dos empresários de forma negativa", garante ele. 

Entre os maiores obstáculos que devem ser superados diariamente, estão "a burocracia, a lentidão da Justiça e sobretudo os altos impostos", resume Iliprandi. 

"Para sair desta situação, são necessárias decisões drásticas", garante. 

Algumas dessas decisões foram tomadas nos últimos anos pelos governos de centro esquerda de Matteo Renzi e Paolo Gentiloni. 

Elas foram bem sucedidas: de 2012 a 2017, a Itália passou de 87º a 46º no índice do Banco Mundial de facilidade para fazer negócios. O país, contudo, ainda está atrás de Romênia e Moldávia. 

O mercado de trabalho é mais flexível agora graças à reforma trabalhista de Renzi, chamada Job Act, que facilita demissões e criou bonificações nas contribuições sociais para empresas que fazem contratos estáveis.  

Por ora, ainda é difícil medir seu verdadeiro impacto. Renzi garante que, graças à reforma, foram criados 1 milhão de empregos. Mas, para os sindicatos, são vagas precárias. Também teme-se que tenham sido autorizados abusos no setor trabalhista.

Para Roberto Pirotti, professor da Universidade Bocconi de Milão, trata-se de uma reforma "valente e útil" para um país com uma taxa de desemprego de 10,8%, e de 32,2% entre os jovens de 15 a 24 anos, muito acima da média dos países da zona do euro.

- Plano industrial 4.0 -

O imposto sobre lucros corporativos foi reduzido na Itália de 27,5% para 24%. Apesar de ser uma taxa mais baixa que a da França (33,3%), está acima da do Reino Unido (19%) e muito longe dos 12,5% ​​da Irlanda, ou dos 9% da Hungria. 

Giovanni Lombardi, diretor da empresa de consultoria Tecno, especializada em economia de energia, acredita que o plano industrial 4.0 lançado em 2016 pelo governo, "encoraja as empresas a investir em digitalização e automatização". 

"O mercado está completamente polarizado: as empresas que não investiram em inovação e novas tecnologia estão por fora, enquanto as que o fizeram galopam", conta.

Nobile teme que o próximo governo, independentemente de quem vencer, não continue a tocar as reformas, como a simplificação da burocracia.

A maioria dos partidos prometeu, durante a campanha eleitoral, diversas reduções fiscais, o que poderia desestabilizar as contas internas e aumentar o déficit público e a dívida, a segunda maior da zona do euro (131,6% do PIB). 

Diante da incerteza política com as eleições e da possibilidade de que o país viva longas negociações para formar o próximo governo, muitos consideram que se corre o risco de perder a confiança dos mercados e das finanças.

Fonte: http://www.jb.com.br/economia/noticias/2018/03/03/economia-da-italia-cresce-mas-corre-perigo-com-eleicoes-2/