Jornal do Brasil / Agência ANSA - 6 de junho de 2017

Alitalia recebe mais de 30 manifestações de interesse

Uma delas foi enviada pela companhia aérea irlandesa Ryanair

A companhia italiana Alitalia, que está sob intervenção de governo nacional, recebeu 32 manifestações de interesse após a divulgação do edital para sua venda.

Os grupos que estudam a possibilidade de comprar a maior empresa aérea da Itália tiveram até a última segunda-feira (5) para se apresentar. "Começamos nesta manhã a abrir os envelopes", declarou Stefano Paleari, um dos comissários designados por Roma para administrar a Alitalia.

Nem todas as ofertas seguirão adiante, já que muitas não devem cumprir requisitos mínimos de viabilidade, e algumas também não preveem a aquisição integral da companhia, como deseja o governo italiano.

Uma das empresas a manifestar interesse é a Ryanair, que fez uma ofertade parceria em voos regionais que alimentam as rotas de longo alcance da Alitalia. "Falamos com o governo e dissemos que estamos prontos a colocar à disposição 20 aviões se a Alitalia tiver de cortar rotas", disse o porta-voz do grupo irlandês, John Alborante.

Ícone do segmento low cost (baixo custo), a Ryanair já é a empresa que mais transporta passageiros na Itália. "A Ryanair está pronta para administrar esse tipo de serviço, além daquele regular de nossa atividade low cost", acrescentou o porta-voz. Os voos regionais são aqueles que ligam aeroportos periféricos com hubs, de onde partem as rotas de longa distância, como as intercontinentais.

Depois da abertura de todos os envelopes, os comissários do governo enviarão uma "carta de procedimento" aos interessados e fixarão um prazo para a apresentação das ofertas não vinculantes, provavelmente o fim de julho.

O objetivo da Itália é ter as propostas definitivas no máximo até outubro. Paralelamente, o governo trabalha para reduzir custos na Alitalia: a administração extraordinária já conseguiu economizar 100 milhões de euros com combustível e agora tenta renegociar contratos de leasing de aviões.

A crise na empresa se agravou após seus funcionários terem rejeitado um plano de demissões de 1 mil pessoas, requisito obrigatório para os acionistas aumentarem o capital da companhia aérea em 2 bilhões de euros.

Com isso, a Alitalia se viu na perspectiva de ficar sem liquidez e pediu a intervenção do governo, que conseguiu a aprovação da União Europeia para um empréstimo-ponte de 600 milhões de euros.

Se não encontrar um comprador para a empresa, a Itália terá dois caminhos: tentar saná-la e mantê-la com sua configuração societária atual ou decretar sua falência, quando eventuais interessados poderiam comprar os ativos da Alitalia a preços muito menores. 

Fonte: http://www.jb.com.br/internacional/noticias/2017/06/06/alitalia-recebe-mais-de-30-manifestacoes-de-interesse/