A Comissão admite repensar a sua política económica. Itália e Espanha anunciaram descida dos impostos enquanto os países do norte da Europa vão precisar gastar mais por causa da crise dos refugiados

07 Janeiro 2016 • SÁBADO | 

Mario Draghi já por várias vezes admitiu a necessidade de a Europa "repensar" a sua política económica. A crise dos refugiados e os problemas de segurança surgidos em França adensaram esta ideia. A Comissão Europeia está a abandonar a sua obsessão com a austeridade. A França anunciou que vai precisar de gastar mais dinheiro com a defesa, enquanto a Alemanha e os países do norte têm custos acrescidos com a crise migratória. Entretanto, Itália e Espanha já anunciaram descida de impostos para 2016. Segundo o El País, Bruxelas não pensa exigir ajustes a estes países. Até porque no caso de Espanha será difícil exigir seja o que for antes de se saber quem será o próximo governo.

Neste momento, apenas a descida do petróleo e a compra de activos pelo BCE estão a suportar o crescimento tímido da Europa. "Os episódios de instabilidade política, os perigosos estertores da crise em Portugal e Grécia, a situação na Itália e os rasgos geopolíticos complicam a situação, mas sobretudo a desaceleração da China e dos países emergentes permanecerá ainda um par de anos e já estão a ter impacto nos mercados", justificam fontes comunitárias para o alívio da austeridade. A bolsa chinesa foi suspensa esta quinta-feira apenas meia hora depois de abrir devido à queda de 7%, arrastando as restantes bolsas asiáticas. É a segunda vez que isto acontece esta semana. Em contrapartida, o preço do barril de petróleo baixou a barreira dos 30 dólares pela primeira vez desde 2004. Uma boa notícia para a Europa.

Kenneth Rogoff, ex-economista chefe do FMI diz que "a crise migratória é uma grande desculpa para ver estímulos na Alemanha e permitir que a crise da eurozona cicatrize".

Bruxelas prevê um crescimento de 1,8% para a zona euro, o que permitirá recuperar a economia para níveis de 2008. O número de erros foi demasiado grande e foram precisos oito anos para fechar a ferida. Entre os especialistas prevalece a ideia de que Bruxelas usou medidas agressivas durante demasiado tempo. "Esta Comissão não é tão fundamentalista como a anterior e permitirá que os grandes países gastem, mas a Europa precisa de um verdadeiro estímulo fiscal. Esta não é a expansão que a eurozona precisa. Ainda assim, pode transformar uma enxaqueca numa dor de cabeça normal", conclui Charles Wyplosz, do Graduate Institute.
 
Fonte: http://www.sabado.pt/